Acampamento Pró-Palestina na Universidade McGill
Pontos principais
- O acampamento ocorreu entre 27 de abril e 10 de julho de 2024 no campus da Universidade McGill, em Montreal.
- As principais demandas eram o desinvestimento de fundos ligados a Israel e o rompimento de vínculos acadêmicos com o país.
- O Tribunal Superior do Quebec rejeitou pedidos de liminar para a remoção imediata do acampamento.
- A universidade possuía investimentos estimados em 73 milhões de dólares em empresas ligadas a Israel, segundo dados de grupos estudantis.
O acampamento pró-Palestina na Universidade McGill foi uma manifestação de ocupação que ocorreu no campus central da universidade, em Montreal, entre 27 de abril e 10 de julho de 2024. Este evento destacou-se como a primeira demonstração notável no Canadá dentro do movimento global de protestos em campus universitários em 2024, exigindo que as instituições de ensino superior cortassem vínculos com Israel em resposta à ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Organização e Demandas
O acampamento foi organizado por um coletivo de grupos estudantis pró-Palestina da Universidade McGill e da Universidade Concordia. As principais reivindicações incluíam:
- O desinvestimento de fundos relacionados a Israel, especificamente de fabricantes de armas;
- O rompimento de vínculos com universidades israelenses;
- A condenação pública dos ataques de Israel em Gaza.
Inicialmente, cerca de 20 tendas foram montadas próximas aos Portões Roddick, cercadas por uma grade metálica. Com o passar dos dias, a estrutura cresceu para aproximadamente 100 tendas, tornando-se um espaço equipado com comodidades e atividades diárias. A ocupação contou com a participação de estudantes e professores de diversas instituições de Montreal, incluindo a Université du Québec à Montréal e a Université de Montréal.
Resposta Institucional e Jurídica
A administração da Universidade McGill, liderada pelo presidente Deep Saini, declarou que o acampamento era ilegal e solicitou a assistência policial para a sua remoção. Saini acusou os manifestantes de antissemitismo, enquanto os organizadores e apoiadores descreveram a manifestação como pacífica.
O governo do Quebec, através do primeiro-ministro François Legault, apoiou a posição da universidade, classificando a ocupação como ilegal e pedindo a intervenção policial. No âmbito jurídico, o Tribunal Superior do Quebec rejeitou dois pedidos de liminar (injunctions) contra o protesto, inclusive um protocolado pela própria universidade.
O acampamento foi finalmente desmantelado pela administração da McGill em 10 de julho de 2024.
Contexto e Antecedentes
Ativismo Estudantil em Montreal
Desde o início da guerra em Gaza em 7 de outubro de 2023, as universidades McGill e Concordia tornaram-se centros de tensões entre grupos de apoio à Palestina e a Israel. Em novembro de 2023, conflitos ocorreram na Universidade Concordia entre a Solidarity for Palestinian Human Rights (SPHR) e a organização StartUp Nation.
Controvérsias sobre Investimentos
Grupos pró-Palestina na McGill questionaram a composição do fundo de dotação da universidade. Em 18 de abril de 2024, estudantes publicaram dados indicando que a instituição possuía investimentos de pelo menos 73 milhões de dólares em 50 empresas ligadas a Israel até o final de 2023. Desse montante, mais de 5,5 milhões de dólares estariam investidos em empresas de tecnologia militar com contratos com as Forças de Defesa de Israel (IDF), como Lockheed Martin, Thales e Airbus.
O fundo de dotação da McGill, gerido por gestores externos, totalizava cerca de 1,8 bilhão de dólares e representou 6,1% da receita da instituição em 2023. Em resposta a essas pressões, estudantes realizaram greves de fome e bloquearam edifícios, como o Edifício Bronfman, para exigir a transparência e o desinvestimento.
Perguntas frequentes
O que os manifestantes da Universidade McGill exigiam?
Os manifestantes exigiam que a universidade desinvestisse de fundos ligados a Israel, cortasse relações com universidades israelenses e condenasse publicamente as ações militares de Israel em Gaza.
Como a universidade reagiu ao acampamento?
A administração da McGill, sob a presidência de Deep Saini, declarou a ocupação ilegal, acusou manifestantes de antissemitismo e solicitou a remoção do acampamento via intervenção policial.
Qual foi o desfecho do acampamento?
Após a rejeição de pedidos de liminar pelo Tribunal Superior do Quebec, o acampamento foi desmantelado pela universidade em 10 de julho de 2024.