Alquilação Química
Pontos principais
- A alquilação consiste na transferência de um grupo alquila para outra molécula, podendo ocorrer via carbocátions, radicais livres, carbanions ou carbenos.
- Na indústria petroquímica, é usada para produzir componentes de alta octanagem para gasolina através da reação de isobutano com olefinas.
- Na medicina, agentes alquilantes são usados em quimioterapia para danificar o DNA de células cancerosas e impedir sua proliferação.
- A síntese de éter de Williamson é um exemplo clássico de O-alquilação utilizando haletos de alquila.
A alquilação é uma reação química fundamental que consiste na transferência de um grupo alquila (um radical derivado de um alcano) para outra molécula. Esse grupo pode ser transferido sob a forma de um carbocátion alquila, um radical livre, um carbanion ou um carbeno, dependendo do agente reagente e das condições da reação. O processo inverso, no qual um grupo alquila é removido de uma molécula, é denominado dealquilação.
Os agentes alquilantes são classificados principalmente de acordo com seu caráter nucleofílico ou eletrofílico, determinando a natureza do ataque químico e o tipo de ligação formada.

Agentes Alquilantes Nucleofílicos
Agentes alquilantes nucleofílicos fornecem o equivalente a um ânion alquila (carbanion). Nestes casos, o carbanion ataca um eletrófilo, estabelecendo uma nova ligação covalente entre o grupo alquila e o centro eletrofílico. O contra-íon (geralmente um cátion como o lítio) é removido durante a etapa de purificação (work-up).
Exemplos notáveis incluem compostos organometálicos, tais como:
- Reagentes de Grignard (organomagnésio);
- Organolítio;
- Organocobre;
- Organossódio.
Esses reagentes são frequentemente utilizados para adicionar grupos alquila a carbonos deficientes em elétrons, como nos grupos carbonila. Além disso, podem deslocar substituintes haletos em um átomo de carbono através do mecanismo de substituição nucleofílica bimolecular (SN2). No caso de haletos de arila, a alquilação requer a presença de catalisadores organometálicos, como ocorre nas acoplações de Suzuki, já que o mecanismo SN2 é inviável para anéis aromáticos devido a impedimentos estéricos e eletrônicos.
Alquilação por Eletrófilos de Carbono
A alquilação eletrofílica ocorre quando o grupo alquila atua como um eletrófilo, atacando centros ricos em elétrons.
C-alquilação
A C-alquilação é essencial para a formação de ligações carbono-carbono. Na indústria petroquímica, esse processo é utilizado em unidades de alquilação para converter alcenos de baixo peso molecular em componentes de alta octanagem para a gasolina. Outras aplicações incluem a alquilação de fenóis para a produção de alquilbenzenos lineares (utilizados em surfactantes como o LAS) ou fenóis butilados (como o BHT, usado como antioxidante). Industrialmente, utilizam-se catalisadores ácidos (como Amberlyst) ou ácidos de Lewis (como o alumínio). Em escala laboratorial, a reação de Friedel-Crafts utiliza haletos de alquila e o catalisador tricloreto de alumínio, embora seja menos comum industrialmente devido ao custo superior dos haletos em relação aos alcenos.
N-, P- e S-alquilação
Estes processos são fundamentais para a criação de ligações carbono-nitrogênio, carbono-fósforo e carbono-enxofre:
- N-alquilação: Aminas são facilmente alquiladas, geralmente utilizando haletos de alquila. Métodos de "química verde" utilizam álcoois (gerando água como subproduto) ou a hidroaminação. A reação de Menshutkin converte uma amina terciária em um sal de amônio quaternário.
- P-alquilação: Fosfinas terciárias reagem com haletos de alquila para formar sais de fosfônio.
- S-alquilação: Tióis são alquilados para formar tioéteres via a reação tiol-eno, geralmente na presença de uma base. Tioéteres podem sofrer alquilação adicional para formar íons sulfônio.
O-alquilação
A O-alquilação de álcoois resulta na formação de éteres. Quando o agente alquilante é um haleto de alquila, o processo é conhecido como síntese de éter de Williamson.

Álcoois também podem atuar como agentes alquilantes na presença de catalisadores ácidos. A alquilação de fenóis é particularmente eficiente e menos sujeita a reações competitivas. Processos mais complexos, como a etoxilação, utilizam o óxido de etileno como grupo alquilante.

Aplicações Interdisciplinares
Indústria do Petróleo
No refino de petróleo, a alquilação é um processo específico de reação entre isobutano e olefinas para produzir alquilatos, que são componentes de alta octanagem e baixa volatilidade, essenciais para a produção de gasolinas premium.
Medicina e Oncologia
A alquilação do DNA é uma estratégia utilizada em quimioterapia. Agentes antineoplásicos alquilantes danificam a estrutura do DNA das células cancerígenas, impedindo a replicação celular e induzindo a apoptose (morte celular programada), o que interrompe o crescimento do tumor.
Adição Oxidativa a Metais
Metais de baixa valência podem reagir com agentes alquilantes através de um processo chamado adição oxidativa, resultando em alquilas metálicas. Este mecanismo é crucial em diversas reações de acoplamento cruzado e no processo Cativa, utilizado na síntese de ácido acético a partir de iodeto de metila.
Perguntas frequentes
O que é a alquilação química?
É uma reação química que envolve a transferência de um grupo alquila (derivado de um alcano) para outra molécula, formando novas ligações covalentes.
Qual a diferença entre agentes alquilantes nucleofílicos e eletrofílicos?
Agentes nucleofílicos fornecem um carbanion (rico em elétrons) que ataca um eletrófilo, enquanto agentes eletrofílicos fornecem um carbocátion ou equivalente (deficiente em elétrons) que ataca um centro nucleofílico.
Como a alquilação é usada no tratamento do câncer?
São utilizados fármacos chamados agentes alquilantes antineoplásicos que se ligam ao DNA das células cancerosas, criando ligações transversais que impedem a a replicação do DNA e a morte da célula tumoral.
Qual a importância da alquilação no refino de petróleo?
Ela permite a criação de alquilatos, que são hidrocarbonetos ramificados de alta octanagem, melhorando a qualidade da gasolina e reduzindo a detonação prematura no motor.