Biografia

Ami Butini: Colecionador Etnográfico e Proprietário de Plantações no Suriname

Pontos principais

  • Proprietário da plantação Tulpenberg no Suriname, gerida por mão de obra escravizada.
  • Realizou a primeira doação de artefactos ameríndios ao gabinete de curiosidades de Genebra em 1759.
  • Estudou filosofia e teologia na Academia de Genebra, concluindo a sua tese em 1743.
  • Sua coleção etnográfica, agora no Museu de Etnografia de Genebra, incluía espécimes biológicos e artefactos indígenas.

Ami Butini (nascido Bénédict-Ami Butini; 21 de maio de 1718 – 1780) foi um proprietário de plantações genebrino e colecionador etnográfico que residiu no Suriname durante o século XVIII. Butini é historicamente notável por ter sido um dos poucos proprietários de plantações suíços a gerir pessoalmente a sua propriedade operada por mão de obra escravizada, além de ter realizado contribuições significativas para as primeiras coleções etnográficas de Genebra.

Primeiros Anos e Educação

Nascido em 21 de maio de 1718, em Genebra, Ami Butini foi o segundo de oito filhos de Augustin Butini e Marthe de l'Escale. A sua família possuía fortes raízes na tradição protestante, e o pai de Butini atuou como comerciante de tecidos e, posteriormente, como secretário da Bolsa Francesa.

A sua formação académica ocorreu na Academia de Genebra, onde se dedicou aos estudos de filosofia e teologia. Em 1743, Butini concluiu a sua tese teológica, seguindo a trajetória educacional esperada para a sua classe social e contexto religioso na época.

Atuação no Suriname

No início da década de 1750, Butini deixou Genebra e estabeleceu-se em Paramaribo, no Suriname, para administrar uma plantação herdada denominada Tulpenberg, situada ao longo de um afluente do rio Commewijne. Em 1753, contraiu matrimónio na colónia holandesa, embora a identidade da sua esposa não tenha sido preservada nos registos históricos.

Diferente de muitos proprietários europeus que geriam as suas propriedades à distância, Butini optou por supervisionar pessoalmente a sua plantação operada por escravizados. Além da gestão agrícola, exerceu a função de consultor jurídico em Paramaribo. Apesar da sua posição de destaque na colónia, não existem registos sobreviventes que detalhem a extensão da plantação Tulpenberg, o número exato de pessoas escravizadas sob o seu domínio, as culturas cultivadas ou a rentabilidade do negócio.

Contribuições ao Colecionismo Etnográfico

Desde a sua chegada ao Suriname, Butini desenvolveu um interesse profundo por objetos das culturas locais. Em 1759, durante uma visita a Genebra, doou uma coleção considerável de objetos "exóticos" à biblioteca pública da cidade (atualmente a Bibliothèque de Genève), integrando o seu gabinete de curiosidades.

Esta doação foi pioneira, pois representou a primeira vez que artefactos e espécimes de origem ameríndia foram introduzidos no gabinete de Genebra, que até então continha predominantemente itens provenientes do Oriente e da Ásia. A coleção, composta por aproximadamente quarenta objetos, foi posteriormente transferida para o Musée d'ethnographie de Genève. Entre as peças notáveis estavam:

  • Um colar confeccionado com dentes de felinos (identificados como dentes de jaguar);
  • Uma flauta esculpida no fémur de uma mulher indígena;
  • Diversos frascos contendo espécimes da flora e fauna do Suriname, preservados em rum ou vinagre.

A coleção também incluía itens controversos, como um feto humano de origem africana preservado em licor de açúcar, evidenciando a desumanização das populações escravizadas na Europa do século XVIII.

Legado e Contexto Familiar

A trajetória de Ami Butini apresenta um contraste irónico com a de Jean-François Butini, seu parente e conhecido opositor da escravidão. Enquanto Ami Butini lucrou com o sistema de plantações escravagistas, o seu legado histórico permanece ligado principalmente ao seu interesse etnográfico e às peças que ajudaram a moldar as primeiras coleções antropológicas de Genebra.

Ami Butini faleceu em 1780 em Paramaribo, Suriname, onde viveu as últimas décadas da sua vida.

Perguntas frequentes

Quem foi Ami Butini?

Ami Butini foi um cidadão de Genebra que viveu no Suriname no século XVIII, onde atuou como proprietário de plantações e colecionador de objetos etnográficos.

Qual a importância de Ami Butini para a etnografia?

Ele foi responsável por doar a primeira coleção de objetos de origem ameríndia à biblioteca pública de Genebra, contribuindo para a fundação das coleções do atual Museu de Etnografia de Genebra.

Onde ficava a plantação de Ami Butini?

A sua plantação, chamada Tulpenberg, estava localizada em um afluente do rio Commewijne, no Suriname.

Qual a contradição familiar de Ami Butini?

Existe um contraste histórico entre Ami Butini, que era proprietário de escravos, e o seu parente Jean-François Butini, que era um opositor da escravidão.