Ataque Terrorista em Magnanville de 2016
Pontos principais
- O ataque ocorreu em 13 de junho de 2016, em Magnanville, França.
- As vítimas foram o policial Jean-Baptiste Salvaing e sua companheira, Jessica Schneider.
- O perpetrador, Larossi Abballa, tinha antecedentes por terrorismo e foi morto por forças especiais da polícia.
- O ataque foi reivindicado e validado como sendo inspirado pelo Estado Islâmico (ISIL).
Em 13 de junho de 2016, a cidade de Magnanville, localizada a aproximadamente 55 km a oeste de Paris, França, foi palco de um ataque terrorista que resultou na morte de um oficial de polícia e de sua companheira. O crime foi perpetrado por Larossi Abballa, um homem com antecedentes criminais por associação a grupos terroristas.
O Ataque
Na noite de 13 de junho de 2016, Jean-Baptiste Salvaing, um oficial de comando de 42 anos da delegacia de Mureaux, foi emboscado ao chegar em sua residência na allée des Perdrix. Por volta das 20h, Larossi Abballa, então com 25 anos, posicionou seu veículo a cerca de 20 metros da casa da vítima e aguardou escondido atrás do portão frontal.
Ao entrar na propriedade por volta das 20h30, Salvaing foi atacado por Abballa, que o esfaqueou duas vezes enquanto gritava "Allahu akbar". O policial conseguiu fugir para a rua, onde solicitou a um vizinho que chamasse os serviços de emergência e buscasse abrigo. No entanto, Abballa alcançou a vítima e a esfaqueou repetidamente antes de se barricar na residência.
Dentro da casa, Abballa assassinou a companheira de Salvaing, Jessica Schneider, de 36 anos, funcionária administrativa da delegacia de Mantes-la-Jolie, cortando-lhe a garganta. O filho do casal, de três anos, permaneceu ileso durante o ataque.
Transmissão ao Vivo e Negociações
Às 20h52, Abballa iniciou uma transmissão ao vivo via Facebook, que durou 13 minutos. Durante a live, ele declarou lealdade a Abu Mohammad al-Adnani, porta-voz do Estado Islâmico (ISIL), e instigou novos ataques contra policiais, jornalistas, figuras públicas e rappers. Ele também fez referências à UEFA Euro 2016, competição de futebol que ocorria na França na época, afirmando que o evento se tornaria um "cemitério".
Unidades especiais de elite da polícia francesa, o RAID e o BRI, cercaram a área e tentaram negociar a rendição do suspeito. Durante as conversas, Abballa afirmou ser um muçulmano praticante, estar observando o Ramadã e ter jurado lealdade ao líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, há três semanas, alegando ter respondido a uma ordem geral para "matar os infiéis em suas casas com suas famílias".
Após a falha nas negociações e ameaças do suspeito de explodir o local, equipes de assalto do RAID e BRI invadiram a residência por volta da meia-noite, resultando na morte de Abballa em um confronto armado. O filho do casal foi resgatado a salvo, embora em estado de choque.
O Perpetrador
Larossi Abballa era um cidadão francês de ascendência marroquina, nascido em Meulan e residente no subúrbio de Mantes-la-Jolie. Seu histórico criminal incluía registros de roubo e violência desde 2011.
Em 2011, aos 20 anos, Abballa foi preso por integrar um grupo que recrutava indivíduos para treinamento jihadista no Paquistão e no Afeganistão. Em 2013, ele e outros sete homens foram condenados em Paris por "associação criminosa com o objetivo de preparar atos terroristas". Abballa foi sentenciado a três anos de prisão, com seis meses suspensos. Como já havia cumprido dois anos e dois meses em prisão preventiva, foi libertado logo após a sentença.
Abballa permaneceu sob vigilância estatal por alguns anos, mas o monitoramento foi encerrado em 2015.
Procedimentos Judiciais e Reações
Em 18 de junho de 2016, os promotores acusaram Mohamed Lamine Aberouz (também conhecido como Charaf-Din Aberouz) e Saad Rajraji, ambos condenados em 2013 por pertencerem a um grupo jihadista francês, sob a suspeita de que Abballa não teria agido sozinho. Rajraji foi libertado em janeiro de 2017 sob liberdade condicional supervisionada. Aberouz foi condenado, em outubro de 2023, por cumplicidade nos dois assassinatos em Magnanville.
O presidente da França, François Hollande, classificou o ataque como "inquestionavelmente" terrorismo, enquanto o primeiro-ministro Manuel Valls afirmou que a França estava em guerra, prevendo que o conflito seria longo. Em 3 de agosto de 2016, as vítimas, Jean-Baptiste Salvaing e Jessica Schneider, foram condecoradas postumamente com a Légion d'honneur, a mais alta ordem de mérito da França.
Perguntas frequentes
Quem foi o autor do ataque em Magnanville?
O autor foi Larossi Abballa, um cidadão francês de ascendência marroquina que já havia sido condenado por associação a grupos terroristas em 2013.
Qual foi a motivação do ataque?
Abballa alegou ter agido sob ordens do líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, para atacar 'infiéis' em suas casas durante o mês do Ramadã.
Houve outras pessoas envolvidas no ataque?
Sim, Mohamed Lamine Aberouz foi condenado em outubro de 2023 por cumplicidade nos assassinatos.
Qual foi o desfecho para o filho do casal?
O filho do casal, de três anos, permaneceu ileso e foi resgatado pelas forças especiais da polícia durante a invasão da residência.