História e Nobreza

Baronia de Lucas

Pontos principais

  • O título de Barão Lucas foi criado duas vezes na nobreza inglesa: a primeira em 1645 (Shenfield) e a segunda em 1663 (Crudwell).
  • A segunda criação é a única que permanece ativa e é atualmente detida junto com o título escocês de Lord Dingwall.
  • A Baronia de Lucas de Crudwell possui uma regra de sucessão incomum que permite a transmissão a herdeiros gerais, facilitando a passagem do título por linhagens femininas.

A Baronia de Lucas é um título de nobreza que foi criado duas vezes no sistema de pares da Inglaterra (Peerage of England). Enquanto a primeira criação tornou-se dormente, a segunda permanece ativa e é atualmente detida em conjunto com o título de Lord Dingwall, pertencente ao sistema de pares da Escócia.

Primeira Criação: Barões Lucas de Shenfield (1645)

O título de Barão Lucas, de Shenfield, no condado de Essex, foi criado em 13 de janeiro de 1645 para Sir John Lucas, um oficial do exército realista durante a Guerra Civil Inglesa. A sucessão do título foi definida por uma cláusula especial de sucessão (special remainder) nas cartas patentes, permitindo que seu sobrinho, Charles Lucas, herdasse a posição.

  • John Lucas, 1º Barão Lucas de Shenfield (1606–1671).
  • Charles Lucas, 2º Barão Lucas (1631–1688): Filho de Sir Thomas Lucas (irmão mais velho do primeiro barão).
  • Robert Lucas, 3º Barão Lucas de Shenfield (c. 1649–1705): Morreu solteiro, resultando na dormência do título após sua morte.

Segunda Criação: Barões Lucas de Crudwell (1663)

A segunda criação do título, Barão Lucas de Crudwell, no condado de Wiltshire, ocorreu em 1663. O título foi concedido a Mary, Condessa de Kent, a pedido de seu pai, John Lucas. Mary era a única filha sobrevivente do 1º Barão da primeira criação e esposa do 11º Conde de Kent.

Regras de Sucessão e Evolução

Diferente de muitos títulos da época, a Baronia de Lucas de Crudwell foi criada com uma sucessão que permitia a herança por herdeiros gerais sem divisão, seguindo a primogenitura (incluindo a linhagem feminina na ausência de filhos), similar à forma como a Coroa Inglesa é transmitida.

O título passou por diversas linhagens nobres, unindo-se a outros títulos de prestígio:

  • Casa de Grey: O título foi herdado por Henry Grey, que se tornou Duque de Kent. Após a extinção do ducado, a Baronia de Lucas e o título de Marquês Grey passaram para sua neta, Jemima Campbell.
  • Condessa de Grey: Amabel Hume-Campbell, 5ª Baronesa Lucas, foi criada Condessa de Grey em 1816.
  • União com Lord Dingwall: No final do século XIX, o título foi detido por Francis Thomas de Grey Cowper, que também foi restaurado como 4º Lord Dingwall (Escócia) e 3º Barão Butler.

Sucessão Recente e Atual Detentor

Após a morte de Francis Cowper, a Baronia de Lucas e a Lordship de Dingwall passaram para seu sobrinho, Auberon Herbert, cuja sucessão foi confirmada pelo Comitê de Privilégios da Câmara dos Lordes em 1907.

A linhagem seguiu sucessivamente por Nan Ino Cooper (10ª Baronesa) e Anne Rosemary Palmer (11ª Baronesa), até chegar ao atual detentor:

  • Ralph Matthew Palmer: 12º Barão Lucas e 8º Lord Dingwall (nascido em 1951).

O herdeiro aparente é Lewis Edward Palmer, conhecido como Master of Dingwall (nascido em 1987).

Brasão de armas da família Lucas
Brasão de armas associado à Baronia de Lucas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre as duas criações da Baronia de Lucas?

A primeira criação (1645) foi para os Barões de Shenfield e tornou-se dormente em 1705. A segunda criação (1663) foi para os Barões de Crudwell, que permanece ativa até hoje.

Quem é o atual detentor do título de Barão Lucas?

O atual detentor é Ralph Matthew Palmer, que é o 12º Barão Lucas e 8º Lord Dingwall.

Como o título de Barão Lucas se relaciona com o título de Lord Dingwall?

Ambos os títulos são detidos atualmente pela mesma pessoa. A Baronia de Lucas pertence à nobreza inglesa, enquanto a Lordship de Dingwall pertence à nobreza escocesa.

O título pode ser herdado por mulheres?

Sim, a segunda criação (Baronia de Lucas de Crudwell) foi criada com a condição de que, na ausência de herdeiros masculinos, o título passasse para herdeiros gerais, permitindo a sucessão feminina.