Cultura Esportiva

Canto 'No one likes us, we don't care': Origem e Impacto Cultural

Pontos principais

  • O canto foi criado por torcedores do Millwall FC no final da década de 1970.
  • A melodia utilizada é baseada na canção '(We Are) Sailing' de Rod Stewart.
  • Surgiu como resposta à estigmatização do clube como centro de hooliganismo pela mídia britânica.
  • Foi adotado globalmente por torcidas que compartilham um sentimento de marginalização ou rivalidade.

O canto "No one likes us, we don't care" (em português: "Ninguém gosta de nós, nós não nos importamos") é um cântico esportivo que se originou nas arquibancadas do futebol inglês, especificamente entre os torcedores do Millwall Football Club, no final da década de 1970. A música é entoada seguindo a melodia de "(We Are) Sailing", do cantor Rod Stewart.

Contexto Histórico e Origens

O surgimento do canto está intrinsecamente ligado ao fenômeno do hooliganismo que cresceu na Inglaterra entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1980. Durante esse período, diversas equipes inglesas enfrentaram problemas com violência entre torcedores, e o Millwall tornou-se um dos exemplos mais citados em estudos acadêmicos e reportagens da época.

Em 1977, o programa Panorama da BBC, conduzido pelo Dr. Anthony Clare, destacou os torcedores do Millwall como indivíduos que buscavam ativamente o conflito. Clare utilizou a analogia de uma "guerra de trincheiras nas arquibancadas" para descrever a dinâmica de violência do grupo conhecido como F-Troop, descrito como a ala mais radical e violenta da torcida.

A imagem do Millwall como um clube sinônimo de violência foi reforçada por publicações como Blood & Guts, Violence in Sports (1979), de Don Atyeo, e The Soccer Tribe (1981), de Desmond Morris. Essas obras consolidaram a percepção pública e midiática de que os torcedores do clube eram inerentemente violentos.

A Mentalidade de Cerco

O canto foi criado como uma resposta direta às críticas constantes da imprensa e da mídia. Ao adotarem a frase "Ninguém gosta de nós, nós não nos importamos", os torcedores do Millwall transformaram a estigmatização externa em um símbolo de orgulho e identidade, desenvolvendo o que sociólogos e comentaristas descrevem como uma mentalidade de cerco.

Alguns analistas, como o jornalista Michael Collins, sugerem que a demonização do clube foi facilitada pelo fato de sua base de torcedores ser composta majoritariamente pela classe trabalhadora branca de Southwark, tornando-os um alvo fácil para a narrativa midiática da época, que frequentemente retratava a classe operária urbana como "estranha" ou "primitiva".

Disseminação Global e Adaptações

Embora tenha nascido no estádio The Den, o canto transcendeu as fronteiras do Millwall e foi adotado por diversas outras equipes e grupos esportivos ao redor do mundo que se sentem marginalizados ou subestimados. Entre as equipes que já utilizaram variações do cântico estão:

  • Futebol: Clubes como Burnley FC, MK Dons, Rangers (Escócia), Hertha BSC (Alemanha) e o Philadelphia Union (EUA).
  • Outros Esportes: Torcedores do Anaheim Ducks (NHL) adotaram a frase como um lema informal, enquanto no basquete universitário, os San Diego State Aztecs também a utilizaram.

Nos Estados Unidos, o centro Jason Kelce, do Philadelphia Eagles, cantou uma versão profana do cântico durante o desfile de vitória do Super Bowl LII em 2018, evidenciando a penetração da cultura de torcidas europeias no esporte americano.

Letra Original

A versão clássica entoada pelos torcedores do Millwall segue a seguinte estrutura:

No one likes us, no one likes us
No one likes us, we don't care!

We are Millwall, super Millwall
We are Millwall from The Den!

Perguntas frequentes

Qual a origem do canto 'No one likes us, we don't care'?

O canto originou-se com os torcedores do Millwall FC, na Inglaterra, no final dos anos 1970, como resposta às críticas da mídia sobre a violência de sua torcida.

Qual música serve de base para a melodia do canto?

A melodia é baseada na canção '(We Are) Sailing', do artista Rod Stewart.

Por que o canto se tornou popular em outros clubes?

O canto foi adotado por outras torcidas ao redor do mundo que se percebem como 'não queridas' ou que possuem uma imagem pública negativa, transformando o rejeição em identidade de grupo.

O que é a 'mentalidade de cerco' mencionada no artigo?

É a atitude psicológica de se sentir atacado ou injustiçado por forças externas (como a mídia), levando o grupo a se unir mais fortemente e a ignorar a opinião pública externa.