Coeficientes Viriais
Pontos principais
- Os coeficientes viriais corrigem a lei dos gases ideais para descrever gases reais.
- O segundo coeficiente virial (B2) reflete a interação entre pares de partículas.
- No limite clássico, os coeficientes viriais dependem exclusivamente do potencial de interação entre as partículas.
- A expansão virial é derivada a partir da função de partição grand-canônica na mecânica estatística.
Os coeficientes viriais (denotados por $B_i$) são parâmetros matemáticos que aparecem na expansão virial da pressão de um sistema composto por múltiplas partículas. Essa expansão é utilizada para descrever o comportamento de gases reais, fornecendo correções sistemáticas à lei dos gases ideais, que assume a ausência de interações entre as partículas.
Esses coeficientes são característicos do potencial de interação entre as partículas e, em geral, variam de acordo com a temperatura do sistema. A natureza de cada coeficiente reflete a complexidade das interações moleculares:
- O segundo coeficiente virial ($B_2$) depende exclusivamente da interação entre pares de partículas.
- O terceiro coeficiente virial ($B_3$) depende de interações entre dois corpos e de interações não aditivas de três corpos.
- Coeficientes subsequentes ($B_4, B_5, ext{etc.}$) incorporam interações de ordens ainda mais elevadas.



Derivação Matemática
A obtenção de expressões fechadas para os coeficientes viriais inicia-se com a expansão de clusters da função de partição grand-canônica ($\Xi$):

Nesta formulação, $p$ representa a pressão, $V$ o volume do recipiente, $k_B$ a constante de Boltzmann, $T$ a temperatura absoluta e $\lambda$ a fugacidade, definida como $\lambda = \exp[\mu / (k_B T)]$, onde $\mu$ é o potencial químico. A quantidade $Q_n$ é a função de partição canônica de um subsistema de $n$ partículas:

O Hamiltoniano $H(1, 2, \ldots, n)$ representa o operador de energia do subsistema, consistindo na soma das energias cinéticas das partículas e da energia potencial total de interação. A expansão virial é derivada a partir da observação de que $\ln \Xi$ é igual a $pV / (k_B T)$.

Expressões Quânticas e Limite Clássico
As expressões para os primeiros coeficientes viriais em termos de funções de partição são:


No limite clássico, onde a constante de Planck reduzida $\hbar$ tende a zero, os operadores de energia cinética comutam com os operadores de potencial. Nesse cenário, as energias cinéticas no numerador e denominador cancelam-se mutuamente, e o traço ($\text{tr}$) torna-se uma integral sobre o espaço de configuração. Consequentemente, os coeficientes viriais clássicos dependem apenas das interações entre as partículas e são calculados como integrais sobre as coordenadas das partículas.

Complexidade Combinatória e Método Gráfico
A derivação de coeficientes superiores a $B_3$ torna-se rapidamente um problema combinatório complexo. Para simplificar esse processo, assumindo a aproximação clássica e negligenciando interações não aditivas, Joseph E. Mayer e Maria Goeppert-Mayer desenvolveram a representação gráfica da combinatória, permitindo a visualização e o cálculo de clusters de partículas interagentes.
Perguntas frequentes
O que são coeficientes viriais?
São coeficientes usados na expansão da pressão de um sistema de partículas em potências da densidade, servindo como correções para a lei dos gases ideais para descrever gases reais.
Qual a diferença entre B2 e B3?
O segundo coeficiente virial (B2) depende apenas da interação entre pares de partículas, enquanto o terceiro (B3) considera interações de dois corpos e interações não aditivas de três corpos.
Como a temperatura afeta os coeficientes viriais?
Os coeficientes viriais dependem geralmente da temperatura, pois ela influencia a energia cinética e a probabilidade de interação entre as partículas do gás.
O que acontece no limite clássico da expansão virial?
No limite clássico (hbar = 0), as energias cinéticas cancelam-se e os coeficientes dependem apenas das integrais do potencial de interação sobre as coordenadas das partículas.