Comitê pelo Direito à Privacidade
Pontos principais
- O RTPC surgiu a partir do December 9 Defence Fund em 1979 para apoiar vítimas de batidas policiais em casas de banho.
- Foi a maior organização de direitos gays do Canadá durante as batidas de 1981 em Toronto.
- A Operação Soap (1981) resultou na prisão de 324 pessoas, gerando protestos massivos organizados pelo RTPC.
- A organização foi dissolvida em 1991, após considerar que seus objetivos imediatos de combate ao assédio policial haviam sido mitigados.
O Comitê pelo Direito à Privacidade (do inglês Right to Privacy Committee, RTPC) foi uma organização de advocacia sediada em Toronto, Canadá, que se destacou como um dos maiores e mais ativos grupos de defesa de direitos civis da cidade durante a década de 1980. O grupo concentrou seus esforços no combate ao assédio perpetrado pelo Serviço de Polícia de Toronto contra a comunidade homossexual e na contestação da autoridade policial para realizar buscas em estabelecimentos frequentados por gays e apreender materiais privados.
No auge de sua atuação, especificamente durante as batidas em casas de banho em 1981, o RTPC era o maior grupo de direitos gays do Canadá, contando com uma lista de voluntários e contatos de aproximadamente 1.200 nomes. Entre as figuras associadas ao comitê, destacam-se Michael Laking, o Reverendo Brent Hawkes, John Alan Lee, Dennis Findlay, Tom Warner e George W. Smith.
História e Origens
A gênese do RTPC remonta a 9 de dezembro de 1978, quando a polícia realizou uma batida na casa de banho Barracks. Em resposta a esse evento, foi criado o December 9 Defence Fund, um grupo de apoio destinado a fornecer assistência jurídica e financiamento limitado aos 28 homens detidos na operação. Em março de 1979, esse grupo foi renomeado como Comitê pelo Direito à Privacidade (RTPC).
A organização atuou intensamente até o início da década de 1990. O RTPC foi formalmente dissolvido em sua última reunião anual, realizada em 9 de fevereiro de 1991, sob a justificativa de que sua presença em Toronto não era mais tão indispensável quanto no período de maior repressão policial. Atualmente, os arquivos do RTPC — que incluem fotografias, cartazes, gravações, atas e relatórios — estão preservados nos Arquivos Canadenses Lésbicos e Gays em Toronto.
Ativismo e Confrontos com a Polícia de Toronto
Combate à Homofobia Institucional
Em 15 de março de 1979, o RTPC divulgou cópias da publicação News and Views, o boletim oficial da Associação de Polícia de Toronto, que continha artigos com teor racista e homofóbico. O grupo organizou, em 5 de abril de 1979, uma reunião com o Conselho Metropolitano de Comissários de Polícia para discutir a publicação de um artigo intitulado "The Homosexual Fad" (A Moda Homossexual), escrito por Tom Moclair.
Durante a reunião, a delegação apresentou um documento intitulado Our Police Force Too! (Nossa Força Policial Também!), escrito por John Alan Lee, Peter Maloney e George Hislop. O documento continha dez demandas, incluindo a criação de um canal permanente de ligação entre a polícia de Toronto e a comunidade gay. Embora o Conselho de Comissários tenha respondido com a "Declaração de Preocupação e Intenção (Ordem Permanente 25)", o documento foi criticado por não mencionar explicitamente a orientação sexual, levando a denúncias de grupos minoritários e resoluções do Conselho Municipal de Toronto exigindo respostas concretas.
O Caso de Don Franco
Em 6 de junho de 1979, Don Franco, professor e secretário de membros do RTPC, foi acusado de manter uma "casa de prostituição comum" (common bawdy house) em sua própria residência. A polícia informou a escola onde Franco trabalhava sobre suas atividades e confiscou listas de membros do RTPC e do Caucus Gay do NDP. A comunidade gay condenou a ação como um ato de vingança policial. O caso tornou-se historicamente relevante por ser a primeira vez que uma residência particular, onde não ocorria prostituição nem sexo com menores, foi processada sob as leis de bawdy house.
Repressão e as Batidas em Casas de Banho
O RTPC apoiou sistematicamente homens acusados de crimes relacionados a casas de banho, começando pelas batidas no Barracks em dezembro de 1979 e no Hot Tub Club em outubro do mesmo ano.
O evento mais emblemático ocorreu em 5 de fevereiro de 1981, na operação codinome Operação Soap. A Polícia Metropolitana de Toronto realizou batidas simultâneas em quatro das principais casas de banho da cidade, resultando na detenção de 304 homens como "presentes no local" (found-ins) e 20 homens como proprietários. Esta foi a maior batida contra estabelecimentos gays da época e a maior prisão em massa na história de Toronto após a Lei de Medidas de Guerra de 1970.
Em resposta, o RTPC, em conjunto com a Coalizão pelos Direitos Gays, a Igreja Comunitária Metropolitana e o The Body Politic, organizou uma manifestação em 6 de fevereiro de 1981. O protesto, que marchou até a sede da polícia e a Legislatura de Ontário, cresceu de 300 para 3.000 pessoas. Relatórios posteriores indicaram que policiais infiltrados atuaram como agentes provocadores para incitar a violência e justificar prisões durante o evento.
Perguntas frequentes
O que foi o Comitê pelo Direito à Privacidade (RTPC)?
Foi uma organização de advocacia canadense sediada em Toronto que lutou contra o assédio policial e a violação de direitos de privacidade da comunidade gay durante a década de 1980.
Qual foi a importância da Operação Soap?
A Operação Soap foi uma das maiores prisões em massa na história de Toronto, ocorrendo em 1981, quando a polícia invadiu casas de banho gays, levando a criação de protestos massivos e a mobilização do RTPC.
Por que o RTPC foi dissolvido?
O comitê foi dissolvido em 9 de fevereiro de 1991, pois seus membros sentiram que a organização não era mais tão necessária em Toronto quanto fora no período de maior repressão policial.