Correlli Barnett: Historiador Militar e Crítico do Declínio Britânico
Pontos principais
- Historiador inglês especializado em história militar e econômica, com foco no declínio do poder britânico.
- Crítico severo da liderança militar britânica na Segunda Guerra Mundial, especialmente de Bernard Montgomery.
- Autor da série 'Pride and Fall', onde argumenta que a mudança nos valores morais da elite britânica causou a desindustrialização e a perda de hegemonia.
- Influenciado pelas obras de Clausewitz e Lewis Mumford para integrar tecnologia e estratégia na análise histórica.
Correlli Douglas Barnett (28 de junho de 1927 – 10 de julho de 2022) foi um influente e controverso historiador militar e econômico inglês. Sua obra é marcada por uma análise rigorosa da relação entre a capacidade industrial, a tecnologia e o poder estratégico do Reino Unido, focando especialmente no processo de desindustrialização do pós-guerra e no declínio da hegemonia britânica no século XX.
Primeiros Anos e Formação
Barnett nasceu em Pollards Hill, Surrey. Estudou na Trinity School de John Whitgift, em Croydon, e posteriormente ingressou no Exeter College, em Oxford. Na universidade, graduou-se com honras de segunda classe em História Moderna, especializando-se em História Militar e Teoria da Guerra, obtendo seu mestrado (MA) em 1954.
O autor atribuiu sua abordagem historiográfica a duas influências fundamentais durante seus estudos em Oxford: a obra Da Guerra, de Carl von Clausewitz, que moldou sua compreensão da teoria militar, e Técnica e Civilização, de Lewis Mumford, que despertou seu interesse em analisar a história sob a ótica tecnológica, afastando-se da abordagem puramente constitucional ou política predominante na academia da época.
Entre 1945 e 1948, Barnett serviu no Exército Britânico na Palestina durante a Emergência da Palestina, atuando como sargento no Corpo de Inteligência.
Contribuições à História Militar
Barnett atuou como consultor histórico e escritor para a série de televisão da BBC The Great War (1963–64). Sua produção bibliográfica é caracterizada por revisões críticas de figuras e instituições militares britânicas.
Crítica aos Generais do Deserto
Em sua obra The Desert Generals, Barnett contestou a veneração ao Marechal de Campo Bernard Montgomery. Ele argumentou que Montgomery contou com uma superioridade massiva de homens e material na Segunda Batalha de El Alamein e reavaliou o papel de seus predecessores, como Richard O'Connor e o Marechal de Campo Sir Claude Auchinleck, a quem descreveu como o verdadeiro "Vencedor de Alamein" por ter interrompido o avanço de Rommel na Primeira Batalha de El Alamein.
Barnett descreveu Montgomery como um "incapaz emocional", termo que, segundo o autor, foi corroborado por biografias posteriores. No entanto, suas conclusões foram contestadas por historiadores como o Marechal de Campo Michael Carver, que classificou a análise de Barnett como "ingênua" e apontou falhas factuais em seu trabalho.
Visão sobre as Forças Armadas e Tecnologia
Em livros como The Desert Generals e The Swordbearers, Barnett retratou as forças armadas britânicas como excessivamente apegadas a tradições obsoletas e tecnologicamente inferiores às alemãs. Ele citou a relutância de regimentos de cavalaria em adotar táticas modernas de tanques e a inferioridade da frota de Jellicoe na Batalha da Jutlândia (1916) como exemplos dessa rigidez institucional.
Análise de Napoleão Bonaparte
Em Bonaparte (1978), Barnett apresentou uma visão menos idealizada do imperador francês, descrevendo-o como alguém que dependia significativamente de blefes e sorte, além de criticar a distribuição de honras a aliados próximos e familiares. Essa interpretação, contudo, foi amplamente rejeitada por historiadores profissionais da era napoleônica.
A Sequência "Pride and Fall" e o Declínio Britânico
Uma das contribuições mais significativas de Barnett foi a sequência de obras conhecida como Pride and Fall, que inclui:
- The Collapse of British Power
- The Audit of War
- The Lost Victory
- The Verdict of Peace
Nesta série, Barnett analisa o declínio do poder britânico no século XX. Ele argumenta que a queda da Grã-Bretanha não foi um acidente, mas o resultado de uma mudança nos valores da elite governante desde o final do século XVIII. Segundo Barnett, os estadistas do século XVIII viam o poder nacional como a base da independência e a riqueza comercial como um meio para alcançar esse poder.
O historiador sustenta que ocorreu uma "revolução moral" no século XIX, influenciada pelo cristianismo evangélico e não conformista, que levou a elite a priorizar padrões éticos elevados em detrimento da perseguição pragmática e oportunista dos interesses nacionais. Para Barnett, essa mutação no caráter da classe governante resultou em uma incapacidade estratégica que culminou na situação precária do Reino Unido entre 1940 e 1941.
Perguntas frequentes
Quem foi Correlli Barnett?
Foi um historiador militar e econômico inglês (1927-2022) conhecido por suas teses críticas sobre o declínio do poder industrial e estratégico do Reino Unido no século XX.
Qual a principal tese de Barnett sobre o declínio britânico?
Ele argumentou que a elite governante britânica passou por uma mudança de valores no século XIX, trocando o pragmatismo estratégico por um idealismo moral, o que levou à desindustrialização e à perda de poder global.
Como Barnett via o Marechal Montgomery?
Barnett era crítico de Montgomery, descrevendo-o como um 'incapaz emocional' e argumentando que sua vitória em El Alamein foi fruto de superioridade material e não de gênio tático.
Quais foram as principais influências intelectuais de Barnett?
Suas principais influências foram Carl von Clausewitz, para a teoria da guerra, e Lewis Mumford, para a análise da história sob a perspectiva tecnológica.