Cruzes de Eleanor: Monumentos Funerários de Castela
Pontos principais
- Foram erguidas 12 cruzes entre 1291 e 1295 por Eduardo I em memória de Eleanor de Castela.
- Os monumentos marcavam as paradas noturnas do cortejo fúnebre da rainha até a Abadia de Westminster.
- Apenas três monumentos originais sobreviveram: Geddington, Hardingstone e Waltham Cross.
- As cruzes serviram como ferramenta de propaganda para reabilitar a imagem pública de Eleanor de Castela.
As Cruzes de Eleanor foram uma série de doze monumentos de pedra, altos e ricamente decorados, erguidos entre 1291 e aproximadamente 1295 no leste da Inglaterra. Estas estruturas foram encomendadas pelo rei Eduardo I em memória de sua esposa, Eleanor de Castela, que faleceu em novembro de 1290 em Harby, Nottinghamshire, durante uma progressão real.
Os monumentos foram estrategicamente posicionados para marcar os locais de repouso noturno do cortejo fúnebre enquanto o corpo da rainha era transportado de Nottinghamshire até a Abadia de Westminster, perto da Cidade de Londres.

Localização e Sobrevivência
As doze cruzes foram erguidas nas seguintes localidades:
- Lincolnshire: Lincoln, Grantham e Stamford.
- Northamptonshire: Geddington e Hardingstone.
- Buckinghamshire: Stony Stratford.
- Bedfordshire: Woburn e Dunstable.
- Hertfordshire: St Albans e Waltham (atual Waltham Cross).
- Londres/Westminster: Cheapside e Charing (atual Charing Cross).
Atualmente, apenas três dos monumentos medievais originais permanecem substancialmente intactos: os de Geddington, Hardingstone e Waltham Cross. Os demais foram perdidos ao longo dos séculos, muitos deles destruídos durante a Reforma Protestante e a Guerra Civil Inglesa devido às suas associações católicas. O monumento em Charing Cross era, originalmente, o maior e mais ornamentado de todos.
Simbolismo e Propaganda Real
O uso da arquitetura por Eduardo I continha elementos de propaganda política e social. Durante sua vida, Eleanor de Castela foi uma figura impopular entre o público, especialmente devido à sua avidez na aquisição de terras, frequentemente associada ao uso abusivo de empréstimos judaicos, o que atraiu críticas severas da Igreja.
A série de cruzes serviu para reabilitar a imagem da rainha, transformando-a em uma figura idealizada de esposa e rainha, ao mesmo tempo em que projetava o poder espiritual e real da dinastia. Cada pedestal continha a inscrição "Orate pro anima" (Orai por sua alma), incentivando os viajantes a rezar por ela, funcionando assim como cenotáfios.
Contexto Histórico e Paralelos
A construção dessas cruzes encontrou paralelos arquitetônicos na Europa, notadamente as montjoies de 1271, que marcavam a rota funerária do rei Luís IX da França, projetadas para promover sua canonização como santo.
O Cortejo Fúnebre
Após a morte de Eleanor em 28 de novembro de 1290, seu corpo foi levado a Lincoln para embalsamamento. Suas vísceras foram enterradas no Coro dos Anjos da Catedral de Lincoln em 3 de dezembro. O corpo seguiu para Londres em uma jornada de aproximadamente 290 quilômetros que durou 12 dias, sendo finalmente sepultado na Abadia de Westminster em 17 de dezembro, aos pés de seu sogro, o rei Henrique III. Seu coração foi enterrado separadamente no priorado dos Dominicanos em Blackfriars.
Perguntas frequentes
O que eram as Cruzes de Eleanor?
Eram doze monumentos de pedra ricamente decorados, erguidos pelo rei Eduardo I da Inglaterra para marcar as paradas noturnas do cortejo fúnebre de sua esposa, Eleanor de Castela, no século XIII.
Quantas dessas cruzes ainda existem?
Apenas três dos monumentos medievais originais permanecem quase intactos: os de Geddington, Hardingstone e Waltham Cross.
Qual era o propósito político das cruzes?
Além de serem memoriais, as cruzes visavam reabilitar a imagem de Eleanor de Castela, que fora impopular em vida devido a suas práticas de aquisição de terras, projetando-a como uma rainha idealizada.
Onde Eleanor de Castela foi enterrada?
Seu corpo foi sepultado na Abadia de Westminster, enquanto seu coração foi enterrado no priorado dos Dominicanos em Blackfriars.