Geopolítica

Estados Livremente Associados: Os Pactos de Livre Associação com os EUA

Pontos principais

  • Os Pactos de Livre Associação (COFA) vinculam os EUA à Micronésia, Ilhas Marshall e Palau.
  • Os EUA detêm a autoridade exclusiva de defesa e segurança nas regiões dos estados associados.
  • Cidadãos dos estados associados possuem permissão para viver e trabalhar nos EUA sem a necessidade de vistos tradicionais.
  • Os acordos preveem assistência financeira dos EUA em troca de acesso estratégico militar no Pacífico.

Os Pactos de Livre Associação (do inglês Compacts of Free Association, COFA) são acordos internacionais que definem e regulam as relações de livre associação entre os Estados Unidos e três Estados soberanos insulares do Pacífico: os Estados Federados da Micronésia (FSM), a República das Ilhas Marshall (RMI) e a República de Palau. Em virtude desses acordos, essas nações são coletivamente referidas como Estados Livremente Associados (FASs).

Historicamente, esses países, juntamente com a Comunidade das Ilhas Marianas do Norte, faziam parte do Território em Tutela das Ilhas do Pacífico, uma tutela das Nações Unidas administrada pela Marinha dos Estados Unidos entre 1947 e 1951, e posteriormente pelo Departamento do Interior dos EUA de 1951 até 1986 (estendendo-se até 1994 no caso de Palau).

Mapa ou representação visual da área de influência dos Pactos de Livre Associação no Pacífico
Representação da região abrangida pelos acordos de livre associação com os Estados Unidos.

Origem e Implementação

Os pactos surgiram como uma extensão do acordo de tutela territorial entre os EUA e a ONU, que obrigava o governo federal americano a promover o desenvolvimento dos povos do Território em Tutela em direção ao autogoverno ou à independência. As negociações foram iniciadas em 1980, com a assinatura dos acordos ocorrendo entre 1982 e 1983. A aprovação final veio através de plebiscitos realizados nos estados do Pacífico em 1983, e a legislação correspondente foi sancionada pelo Congresso dos EUA em 13 de novembro de 1986.

Disposições Econômicas e Sociais

Sob os termos dos pactos, o governo federal dos Estados Unidos fornece assistência financeira garantida, administrada por meio de seu Escritório de Assuntos Insulares. Em contrapartida, os Estados Associados recebem acesso a diversos programas domésticos dos EUA, incluindo:

  • Programas de resposta a desastres e mitigação de riscos da FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências);
  • Certos programas do Departamento de Educação, como o Pell Grant;
  • Serviços do Serviço Postal dos EUA (USPS), da Administração Federal de Aviação (FAA) e da Comissão Federal de Comunicações (FCC);
  • Acesso ao sistema de seguro de depósitos da FDIC.

Um ponto notável é a mobilidade populacional: a maioria dos cidadãos dos estados associados pode viver e trabalhar nos Estados Unidos, e cidadãos americanos (e seus cônjuges) possuem direitos semelhantes nos estados associados. Embora os benefícios do Medicaid para cidadãos COFA residentes nos EUA tenham sido removidos em 1996, o Congresso dos Estados Unidos restaurou esses benefícios em dezembro de 2020.

Segurança e Defesa Militar

A contrapartida fundamental para a assistência econômica é a concessão de autoridade e responsabilidade total de defesa internacional aos Estados Unidos. As principais disposições incluem:

  • Operações Militares: Os EUA podem operar forças armadas nas áreas do pacto e solicitar terras para bases militares, mediante negociação.
  • Exclusividade: A presença de forças militares de outros países é proibida sem a permissão prévia dos EUA.
  • Responsabilidades: Os EUA são responsáveis pela proteção dos países afiliados e pela administração de tratados de defesa internacionais, embora não possam declarar guerra em nome dessas nações.
  • Restrições de Armas: Em Palau, é proibida a utilização de armas nucleares, químicas ou biológicas. Nas Ilhas Marshall e na Micronésia, o armazenamento de tais armas é proibido, exceto em casos de emergência nacional, estado de guerra ou necessidade iminente de defesa contra ataques.

A integração militar é profunda, com cidadãos dos estados associados podendo servir nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Historicamente, esses cidadãos apresentam taxas de alistamento per capita significativamente altas; em 2008, por exemplo, os Estados Federados da Micronésia registraram a maior taxa de alistamento per capita do que qualquer estado americano.

Renovações e Atualizações no Século XXI

Em 2003, os pactos com a Micronésia e as Ilhas Marshall foram renovados por 20 anos, provendo um financiamento de US$ 3,5 bilhões para ambas as nações. Foi criado também o financiamento de "Impacto do Pacto" (Compact Impact), destinado a Samoa Americana, Guam, Havaí e Ilhas Marianas do Norte, para mitigar os custos de serviços públicos decorrentes da imigração de cidadãos dos estados associados para essas localidades.

Essa renovação, conhecida como "Compact II", trouxe mudanças nas regras de imigração, exigindo passaportes de cidadãos da RMI e FSM para viagens aos EUA, e ajustes nas tarifas postais, embora o USPS tenha retornado às tarifas domésticas em 2007.

Perguntas frequentes

O que são os Estados Livremente Associados?

São nações soberanas (Micronésia, Ilhas Marshall e Palau) que mantêm um acordo de livre associação com os Estados Unidos, delegando a defesa e segurança ao governo americano em troca de assistência financeira e direitos de imigração.

Qual a principal vantagem militar para os Estados Unidos?

Os EUA garantem a exclusividade de operação de forças armadas e a capacidade de negar o acesso de militares de terceiros países às áreas dos pactos, assegurando um controle estratégico no Oceano Pacífico.

Cidadãos desses países podem trabalhar nos EUA?

Sim, a maioria dos cidadãos dos estados associados pode viver e trabalhar legalmente nos Estados Unidos sob os termos dos pactos.

Qual a diferença entre esses países e territórios dos EUA?

Diferente de territórios como Guam ou Porto Rico, os Estados Livremente Associados são nações soberanas com reconhecimento internacional, embora mantenham vínculos profundos de dependência e cooperação com os EUA.