Tecnologia

Fita de Vídeo Tipo C

Pontos principais

  • Desenvolvido em 1976 por Ampex e Sony como padrão profissional de 1 polegada.
  • Substituiu o formato Quadruplex de 2 polegadas e o formato Tipo B na Europa.
  • Introduziu capacidades de 'trick-play', como câmera lenta e imagem estática, impossíveis no sistema Quad.
  • Utilizou a técnica de 'omega wrap' com um sistema de 1,5 cabeças para preservar o intervalo de apagamento vertical.

A fita de vídeo Tipo C, também conhecida como SMPTE C ou 1-inch Type C, é um formato de gravação analógica de varredura helicoidal em rolos (reel-to-reel), desenvolvido conjuntamente pelas empresas Ampex e Sony em 1976. Utilizando fitas com 25,4 mm (1 polegada) de largura, este formato tornou-se o padrão dominante nas indústrias de vídeo profissional e de radiodifusão televisiva.

O Tipo C foi concebido para substituir o antigo formato de rolos de 2 polegadas (51 mm) conhecido como quadruplex, além de suceder tentativas menos bem-sucedidas, como o formato Tipo A da Ampex. Na Europa continental, o Tipo C complementou e eventualmente substituiu o formato Tipo B, desenvolvido pela divisão de televisão da Bosch.

Equipamento de gravação de vídeo profissional Tipo C
Exemplo de hardware utilizado para a manipulação de fitas de vídeo profissionais de 1 polegada.

Características Técnicas

Em comparação com o sistema Quadruplex, o Tipo C oferecia dimensões reduzidas, maior facilidade de operação e uma qualidade de imagem ligeiramente superior. Uma das suas maiores vantagens era a capacidade de trick-play, permitindo funções de imagem estática (still), shuttle e reprodução em velocidade variável, incluindo a câmera lenta.

O formato gravava vídeo composto com alta fidelidade, superando formatos contemporâneos de "cor sob" (color-under), como o U-matic, e apresentando qualidade comparável a formatos de vídeo analógico por componentes, como o Betacam e o MII. Devido à estabilidade e confiabilidade da imagem, o Tipo C tornou-se a escolha preferida para a distribuição de sinais de televisão, que eram transmitidos como sinais compostos.

Especificações de Desempenho

  • Resolução: Aproximadamente 300 linhas.
  • Largura de Banda: 5 MHz.
  • Velocidade de Escrita (Cabeças): 25,6 m/s para sinais NTSC e 21,39 m/s para sinais PAL.
  • Velocidade Linear da Fita: 24,4 cm/s para NTSC e 23,98 cm/s para PAL.

Mecanismo de Gravação e a "Omega Wrap"

Os gravadores de vídeo (VTRs) Tipo C conseguem gravar um campo completo de vídeo em uma única revolução do tambor usando apenas uma cabeça de vídeo. Isso tornou o formato extremamente útil para animações computacionais e a captura de imagens estáticas sem a necessidade de buffers ou armazenadores de quadros.

A fita é enrolada quase completamente ao redor do tambor em um padrão conhecido como omega wrap. Como esse enrolamento cobre apenas 346° do tambor, o intervalo de apagamento vertical (vertical blanking interval) do sinal de vídeo é perdido. Para solucionar isso, foi implementado um sistema de "1 1/2 cabeças", onde uma cabeça secundária lê ou grava uma faixa estreita contendo o intervalo de apagamento vertical enquanto a cabeça principal de vídeo não está lendo uma trilha de vídeo.

Aplicações e Uso Profissional

A fita de 1 polegada foi amplamente adotada na produção televisiva, especialmente em transmissões externas (OB - Outside Broadcasting). Sua portabilidade, em relação às máquinas de 2 polegadas, permitiu que as equipes de campo transportassem múltiplos aparelhos, facilitando edições complexas no local da gravação.

O formato foi a espinha dorsal dos estúdios de televisão por quase duas décadas. Além da produção de programas, foi amplamente utilizado para a masterização de títulos iniciais de LaserDisc, função que foi posteriormente assumida pelo formato digital D-2 no final da década de 1980. O declínio do Tipo C ocorreu com a ascensão de formatos de videocassete digitais mais robustos e práticos, como o Digital Betacam, DVCAM e DVCPRO.

Modelos Notáveis

Ampex

A Ampex lançou diversos modelos, incluindo a série VPR (como o VPR-1, VPR-2 e o portátil VPR-20) e o sistema de câmera lenta SMC-60.

Sony

A Sony desenvolveu a linha BVH, com destaque para o BVH-1000 (modelo de estúdio de 1976), o BVH-500 (portátil) e modelos avançados como o BVH-2800/2, que suportava áudio PCM.

Marconi

A Marconi produziu o modelo de estúdio MR2.

Perguntas frequentes

O que era a fita de vídeo Tipo C?

Era um formato de gravação analógica de 1 polegada em rolos, desenvolvido por Ampex e Sony, utilizado profissionalmente em televisão e broadcast.

Qual a diferença entre o Tipo C e o formato Quadruplex?

O Tipo C era menor, mais fácil de operar, permitia funções de 'trick-play' (como câmera lenta) e possuía maior qualidade de imagem que o sistema Quad de 2 polegadas.

O que é o 'omega wrap' no Tipo C?

É a forma como a fita é enrolada ao redor do tambor do gravador (346°), o que exigia uma cabeça secundária para gravar o intervalo de apagamento vertical.

Qual formato substituiu o Tipo C?

O Tipo C foi substituído por formatos de videocassete digitais, como o Digital Betacam e o DVCPRO, a partir do final dos anos 80 e 90.