Fragmento de Pergaminho de Oxirrinco 1007
Pontos principais
- Manuscrito da Septuaginta em grego datado do século III d.C.
- Contém fragmentos do livro de Gênesis organizados em códice de duas colunas.
- Apresenta características híbridas, com o nomen sacrum cristão e a grafia hebraica para o nome de Deus.
- Atualmente preservado na British Library, Londres.
O Fragmento de Pergaminho de Oxirrinco 1007 (também catalogado como LXXP.Oxy.VII.1007, P.Oxy. VII 1007, P.Lond.Lit. 199, TM 61956, LDAB 3113 e Rahlfs 907) é um fragmento de manuscrito da Septuaginta escrito em grego sobre pergaminho. O documento foi descoberto em Oxirrinco, na atual cidade de El-Bahnasa, no Egito. Com base em estudos de paleografia (análise de estilos de escrita), o manuscrito é datado do século III d.C.
Descrição e Conteúdo
O manuscrito apresenta-se no formato de um códice, o precursor do livro moderno. O fragmento contém trechos do Livro de Gênesis, distribuídos da seguinte forma:
- Frente: Gênesis 2:7-9 e 2:16-19.
- Verso: Gênesis 2:23-3:1 e 3:6-8.
O texto está organizado em 33 linhas divididas em duas colunas. Um detalhe técnico notável é a representação do nome de Deus, que aparece abreviado através da duplicação do yod inicial, escrito em um formato semelhante a um "z" com uma linha horizontal central, fundindo os dois caracteres em um símbolo contínuo (zz).
Debate sobre a Origem Religiosa
A identificação da afiliação religiosa do manuscrito é complexa devido à coexistência de elementos distintos:
- Elementos Cristãos: No lado frontal, embora a legibilidade seja baixa, observa-se o uso do nomen sacrum ΘΣ (abreviação de Theos), uma prática característica de manuscritos cristãos primitivos.
- Elementos Judaicos: A grafia do nome de Deus utilizando caracteres hebraicos (o duplo Yodh) é uma característica típica de manuscritos judaicos.
O pesquisador Alan Mugridge discute essa ambiguidade, sugerindo que a presença de caracteres hebraicos em um contexto que também utiliza o nomen sacrum cristão não prova necessariamente que o papiro seja judaico. Mugridge argumenta que a prática pode refletir a cultura de grupos judaico-cristãos da época, cujas tradições não desapareceram tão rapidamente quanto se supõe. Se o manuscrito for confirmado como cristão, ele representaria o único exemplo conhecido de tentativa de escrever caracteres semelhantes ao hebraico em um manuscrito cristão daquele período.
Histórico e Catalogação
O fragmento foi publicado originalmente em The Oxyrhynchus Papyri, parte VII, editada e traduzida por Arthur S. Hunt em Londres, em 1910 (páginas 1 e 2). Na classificação de manuscritos da Septuaginta elaborada por Alfred Rahlfs, recebeu o número 907. Outras identificações incluem a assinatura Van Haelst 5 e o registro 3113 no Leuven Database of Ancient Books (LDAB).
Localização Atual
Atualmente, o manuscrito encontra-se sob a guarda do Departamento de Manuscritos da British Library, em Londres (Inventário 2047).
Perguntas frequentes
O que é o Papiro de Oxirrinco 1007?
É um fragmento de pergaminho do século III d.C. contendo trechos do livro de Gênesis da Septuaginta, descoberto em Oxirrinco, Egito.
Por que existe dúvida sobre se o manuscrito é judeu ou cristão?
Porque ele contém tanto o 'nomen sacrum' (ΘΣ), típico de manuscritos cristãos, quanto a representação do nome de Deus em caracteres hebraicos, típica de manuscritos judaicos.
Onde o manuscrito está localizado hoje?
O fragmento está armazenado no Departamento de Manuscritos da British Library, em Londres.