História da Bissexualidade nos Estados Unidos
Pontos principais
- Charles Gilbert Chaddock introduziu o termo 'bissexual' para orientação sexual em inglês em 1892.
- As pesquisas de Alfred Kinsey nos anos 40 e 50 revelaram que a bissexualidade era significativamente mais comum do que a sociedade admitia.
- Brenda Howard, uma mulher bissexual, é creditada como a coordenadora da primeira marcha do Orgulho e a idealizadora do Mês do Orgulho em junho.
- O Código Hays restringiu a representação de personagens bissexuais no cinema americano entre 1934 e 1968.
A bissexualidade possui uma trajetória complexa e documentada nos Estados Unidos, com marcos significativos que moldaram tanto a teoria da orientação sexual quanto a organização política do movimento LGBT. Desde a transição de termos biológicos para descrições de atração afetiva até a liderança de figuras bissexuais em eventos fundacionais do orgulho, a experiência bissexual integrou-se às lutas por direitos civis e visibilidade social.
Origens Terminológicas e Primeiras Expressões
O uso do termo "bissexual" em língua inglesa para se referir à orientação sexual foi introduzido em 1892 pelo neurologista americano Charles Gilbert Chaddock. O termo apareceu em sua tradução da sétima edição da obra Psychopathia Sexualis, de Richard von Krafft-Ebing. Antes dessa transição, a palavra era predominantemente utilizada em contextos botânicos ou para descrever indivíduos com características reprodutivas hermafroditas.

Embora a visibilidade pública fosse limitada, figuras notáveis expressaram bissexualidade em suas vidas e obras. A poeta Edna St. Vincent Millay, laureada com o Prêmio Pulitzer em 1923, foi abertamente bissexual. Da mesma forma, biógrafos frequentemente descrevem o poeta do século XIX, Walt Whitman, como bissexual ou homossexual em suas atrações. Durante a Renascença do Harlem, no início do século XX, cantoras de blues como Ma Rainey e Bessie Smith expressaram abertamente seus relacionamentos com homens e mulheres, com canções como "Sissy Man Blues" e "Prove It on Me" abordando a diversidade sexual.
Representação no Cinema e a Era do Código Hays
O cinema primitivo permitiu breves experimentações com a representação da bissexualidade. Em 1914, o filme A Florida Enchantment, de Sidney Drew, apresentou a primeira documentação de personagens bissexuais (tanto masculinos quanto femininos) em uma produção americana.

Contudo, a partir de 1934, a implementação do Código Hays impôs uma censura rigorosa que proibiu a menção ao termo "bissexual" e restringiu drasticamente a aparição de personagens com tais características nas telas americanas, situação que persistiu, em grande parte, até 1968.
As Pesquisas de Alfred Kinsey
Entre o final da década de 1940 e o início de 1950, o biólogo Alfred Kinsey e seus colegas conduziram pesquisas pioneiras que trouxeram visibilidade estatística à bissexualidade. Kinsey, que era ele próprio bissexual, descobriu que 28% das mulheres e 46% dos homens haviam respondido eroticamente ou sido sexualmente ativos com pessoas de ambos os gêneros.
Os dados revelaram que 11,6% dos homens brancos (entre 20 e 35 anos) e cerca de 4% a 7% das mulheres na mesma faixa etária mantiveram experiências heterossexuais e homossexuais equilibradas ao longo de suas vidas adultas. Esse trabalho foi fundamental para deslocar o significado de "bissexual" de um conceito puramente biológico para a descrição de atração por mais de um gênero.
Ativismo e a Emergência do Movimento Moderno
A década de 1960 marcou a ascensão do ativismo político LGBT. Entre 1965 e 1969, protestos por direitos iguais ocorreram em Nova York, Filadélfia e Washington, D.C. Em Washington, durante um dos piquetes diante da Casa Branca, uma manifestante identificou-se publicamente como bissexual.
Marcos Institucionais e Organizacionais
Em 1966, o ativista bissexual Robert A. Martin (conhecido como Donny the Punk) fundou a Student Homophile League nas universidades de Columbia e Nova York. Em 1967, a Universidade de Columbia tornou-se a primeira instituição de ensino superior nos Estados Unidos a reconhecer oficialmente um grupo de estudantes gays.
Em San Francisco, a Sexual Freedom League, facilitada por Margo Rila e Frank Esposito a partir de 1967, tornou-se uma das primeiras organizações focadas na libertação bissexual. Simultaneamente, a inclusão de bissexuais em programas de saúde mental LGBT começou a ganhar tração após a saída pública de Maggi Rubenstein em 1969.
A Rebelião de Stonewall e a "Mãe do Orgulho"
A Rebelião de Stonewall em 1969 é amplamente considerada o marco inicial do movimento moderno de direitos LGBT. Bissexuais participaram ativamente da resistência contra as batidas policiais no bar Stonewall. No ano seguinte, Brenda Howard, uma ativista bissexual, coordenou a primeira marcha do Orgulho LGBT. Howard é reconhecida como a "Mãe do Orgulho" por ter idealizado não apenas a marcha, mas a série de eventos semanais que evoluíram para as celebrações anuais do Mês do Orgulho em junho, celebradas globalmente.
Brenda Howard, juntamente com Robert A. Martin e L. Craig Schoonmaker, é creditada por popularizar o termo "Orgulho" (Pride) para descrever essas festividades.
Visibilidade na Mídia nos Anos 70
Na década de 1970, a bissexualidade começou a ganhar mais espaço nos meios de comunicação. Em 1972, Don Fass fundou em Nova York o grupo National Bisexual Liberation, que publicou o The Bisexual Expression, considerado um dos primeiros boletins informativos bissexuais. Em 1973, ativistas como Woody Glenn começaram a ser entrevistados em programas de rádio, expandindo o debate sobre a orientação sexual bissexual para o público geral.
Perguntas frequentes
Quem foi a primeira pessoa a usar o termo 'bissexual' para descrever a orientação sexual nos EUA?
O neurologista Charles Gilbert Chaddock usou o termo em 1892 em sua tradução de Psychopathia Sexualis.
Qual a importância de Alfred Kinsey para a bissexualidade?
Kinsey forneceu a primeira base estatística robusta, demonstrando que a atração por ambos os sexos era comum entre homens e mulheres, mudando a percepção do termo de biológico para comportamental.
Quem é Brenda Howard e por que ela é chamada de 'Mãe do Orgulho'?
Brenda Howard foi a ativista bissexual que coordenou a primeira marcha do Orgulho LGBT e criou a ideia de transformar a celebração em uma semana de eventos, originando o Mês do Orgulho em junho.
Como o Código Hays afetou a bissexualidade no cinema?
O Código Hays, implementado em 1934, proibiu a menção ao termo 'bissexual' e a representação de personagens bissexuais, silenciando a visibilidade cinematográfica até o final da década de 1960.