História das Tabernas na América do Norte
Pontos principais
- As tabernas coloniais funcionavam como centros multifuncionais, servindo como tribunais, correios e postos comerciais.
- O rum era a bebida destilada mais consumida na América Britânica durante o período colonial.
- Até 40% das tabernas em algumas regiões coloniais eram operadas por mulheres, principalmente viúvas.
- Em 1900, existiam aproximadamente 265.000 estabelecimentos de bebidas (licenciados e ilegais) nos EUA.
As tabernas na América do Norte desempenharam um papel fundamental na organização social, econômica e política desde o período colonial. Mais do que simples estabelecimentos de venda de bebidas, essas instituições serviram como centros nevrálgicos para a comunicação, o comércio e a governança em regiões onde a infraestrutura institucional era escassa.
As Tabernas no Período Colonial
Durante a era colonial, as tabernas seguiram o modelo dos ordinários da Inglaterra. Especialmente na Nova Inglaterra, essas instituições foram essenciais para o desenvolvimento de novos assentamentos, funcionando como espaços de reunião comunitária. Devido à falta de edifícios públicos, as tabernas frequentemente assumiam múltiplas funções, servindo como:
- Tribunais de justiça;
- Locais de reuniões religiosas;
- Postos de troca comercial;
- Agências de correio;
- Lojas de conveniência.
No Sul e nas regiões de fronteira, as tabernas eram vitais para quem se aventurava em terras desconhecidas, funcionando primordialmente como hospedarias e postos de comércio. A estrutura física típica dessas tabernas iniciais consistia em cabanas de toras, geralmente com um andar e meio, onde o térreo era destinado ao público e o andar superior abrigava os quartos para pernoite.
A Cultura do Consumo de Bebidas
O consumo de destilados era extremamente elevado entre os colonos americanos. O rum, em particular, tornou-se a bebida de preferência à medida que a oferta aumentava e os preços caíam. Registros indicam que, em 1770, o consumo per capita de destilados era de 3,7 galões por ano, subindo para 5,2 galões em 1830. Além dos destilados, a cerveja e a cidra dura eram consumidas rotineiramente.
A onipresença do álcool na vida colonial é evidenciada por documentos da época, como o "Dicionário do Bebedor" (Drinker's Dictionary), impresso por Benjamin Franklin no Pennsylvania Gazette em 1737, que listava centenas de termos gírias para a embriaguez em Filadélfia.
Hospedagem e Infraestrutura
As tabernas maiores, especialmente naquelas localizadas em sedes de condados onde funcionavam os tribunais, ofereciam quartos para viajantes. Havia uma distinção clara entre os estabelecimentos:
- Tabernas de Luxo: Possuíam lounges com grandes lareiras, bares, bancos, cadeiras e mesas de jantar. Algumas ofereciam salas separadas para mulheres, visando proporcionar um ambiente mais limpo e reservado.
- Tabernas de Fronteira: Frequentemente descritas como habitações precárias e insalubres, embora ainda fossem consideradas opções mais seguras do que acampar ao relento.
Mesmo em rotas principais, como a Boston Post Road, era comum que viajantes relatassem a má qualidade da comida, camas desconfortáveis e serviço precário. Um exemplo notável ocorreu em 1789, quando o presidente George Washington, durante uma turnê por Connecticut, passou o dia na Perkins Tavern, a qual ele descreveu como "não sendo uma boa taberna".
Papel Social e Econômico
Para os americanos rurais, a taberna era o principal vínculo com o mundo exterior. Nelas, os colonos obtinham informações sobre preços de safras, realizavam trocas comerciais e ouviam a leitura de jornais em voz alta. As tabernas também eram centros de lazer, onde ocorriam corridas de cavalos, exercícios de treinamento de milícias e lutas de galo.
No contexto político, as tabernas eram polos de debate, especialmente durante as temporadas eleitorais ou reuniões de tribunais de condado. Em regiões como o condado de Rowan, na Carolina do Norte, as tabernas serviam como espaços onde fronteiras de etnia, gênero, raça e classe frequentemente se sobrepunham, reunindo grupos diversos em um mesmo ambiente.
Gestão e Licenciamento
Um aspecto notável da gestão colonial era a participação feminina. Em certas áreas, até 40% das tabernas eram operadas por mulheres, especialmente viúvas. Magistrados locais preferiam conceder licenças a viúvas que já conheciam o negócio, evitando que elas ficassem empobrecidas e se tornassem um encargo financeiro para o condado.
Transição para o Século XX
Com o passar do tempo, o volume de consumo de destilados pesados diminuiu, enquanto a produção de cerveja aumentou. No ano de 1900, estimava-se que houvesse 215.000 tabernas licenciadas e cerca de 50.000 não licenciadas nos Estados Unidos. A densidade desses estabelecimentos era significativamente maior em bairros de classe trabalhadora, onde a cerveja era a principal bebida servida.
Perguntas frequentes
O que eram os 'ordinários' na América Colonial?
Eram estabelecimentos inspirados no modelo inglês que serviam como tabernas e hospedarias, funcionando como centros comunitários essenciais para a vida social e administrativa dos assentamentos.
Qual era a função social das tabernas para a população rural?
As tabernas eram o principal meio de comunicação para os rurais, onde podiam saber preços de produtos agrícolas, ouvir notícias de jornais e realizar transações comerciais.
Como era a gestão das tabernas no período colonial?
Muitas eram geridas por proprietários licenciados por magistrados locais. Notavelmente, viúvas eram frequentemente incentivadas a operar esses negócios para garantir sua subsistência financeira.