Cinema e Entretenimento

História da EMI Films e a Evolução para a StudioCanal

Pontos principais

  • A EMI Films surgiu da aquisição da Associated British Picture Corporation (ABPC) em 1969.
  • Bryan Forbes e Nat Cohen lideraram unidades de produção distintas e competitivas dentro da EMI.
  • A biblioteca de filmes da EMI Films é atualmente de propriedade da StudioCanal.
  • Os Elstree Studios, historicamente ligados à EMI, permanecem ativos como centro de produção audiovisual.

A EMI Films (posteriormente conhecida por diversas nomenclaturas, incluindo Lumiere Pictures and Television e Canal+ Image International) foi um influente estúdio de cinema, televisão e animação, além de distribuidora, com operações centradas no Reino Unido e na França. Originalmente uma subsidiária do conglomerado EMI, a empresa desempenhou um papel central na tentativa de revitalizar a indústria cinematográfica britânica entre o final da década de 1960 e meados da década de 1980.

Origens e a Aquisição da ABPC

A fundação da EMI Films ocorreu após a aquisição da Associated British Picture Corporation (ABPC) pela EMI em 1969. Esta movimentação foi precedida pela compra das ações da Warner Bros. na ABPC no ano anterior. Com essa transação, a EMI assumiu o controle de ativos significativos, incluindo:

  • 270 cinemas da rede ABC Cinemas;
  • Uma participação na Thames Television (concessionária da ITV);
  • Os Elstree Studios, localizados em Borehamwood, Hertfordshire;
  • A Anglo-Amalgamated, um estúdio de cinema onde Nat Cohen era sócio.

A Era de Bryan Forbes e Nat Cohen

Para liderar a produção cinematográfica, a EMI fundou a EMI-Elstree. Em abril de 1969, o escritor e diretor Bryan Forbes foi nomeado chefe de produção nos estúdios de Elstree. Simultaneamente, Nat Cohen foi nomeado para o conselho da empresa, criando o que a crítica da época descreveu como "dois feudos competitivos" dentro da organização.

A Estratégia de Bryan Forbes

Forbes propôs um programa ambicioso para revitalizar o cinema britânico, afastando-se de filmes excessivamente violentos. Seu objetivo era produzir filmes com orçamentos controlados e gêneros variados para maximizar o retorno financeiro e atrair diversos públicos. Entre seus projetos iniciais, destacaram-se The Railway Children (1970) e Tales of Beatrix Potter (1971), que foram os principais sucessos comerciais de sua gestão.

Conflitos Internos e Desafios

Apesar das ambições, a maioria dos filmes iniciais de Forbes teve desempenho comercial insatisfatório, como Hoffmann e The Man Who Haunted Himself. Além disso, Forbes enfrentou conflitos com Bernard Delfont e parceiros americanos (como a Columbia Pictures) a respeito do valor artístico e comercial de obras como The Go-Between (1970). A tensão interna foi exacerbada pela percepção de que a unidade de Nat Cohen, a Anglo-EMI, possuía maior suporte financeiro para marketing do que a unidade de Elstree.

Legado e Transição de Propriedade

A trajetória da empresa foi marcada por sucessivas mudanças de nome e propriedade. A biblioteca de filmes da EMI passou por diversas mãos antes de ser consolidada. A Lumiere Pictures and Television, que detinha os direitos em certo período, foi adquirida em 1996 pela UGC, empresa posteriormente absorvida pelo Canal+ Group.

Atualmente, a vasta biblioteca de produções da antiga EMI Films pertence à StudioCanal, que é a sucessora espiritual e legal desses ativos cinematográficos.

O Destino dos Elstree Studios

Os estúdios de Elstree, outrora propriedade da EMI Films, foram vendidos para a Cannon Films e, posteriormente, para Brent Walker em 1988. Após um período de fragmentação, onde parte do terreno foi vendida para a rede de supermercados Tesco, o conselho de Hertsmere adquiriu as instalações restantes. Desde 2018, o local continua a operar como um centro de estúdios de cinema e televisão.

Perguntas frequentes

O que foi a EMI Films?

Foi um estúdio de cinema e televisão britânico-francês, subsidiária do conglomerado EMI, que operou significativamente entre 1969 e 1986.

Quem foi Bryan Forbes na história da EMI?

Forbes foi nomeado chefe de produção da EMI-Elstree em 1969, com a missão de revitalizar a indústria cinematográfica britânica através de produções variadas e orçamentos controlados.

Quem detém os direitos dos filmes da EMI Films hoje?

A biblioteca de filmes da EMI Films pertence atualmente à StudioCanal, após a aquisição da Lumiere Pictures and Television pela UGC e a posterior integração ao grupo Canal+.

O que aconteceu com os Elstree Studios?

Após passar por vários proprietários, incluindo a Cannon Films e Brent Walker, os estúdios foram parcialmente vendidos, mas o restante foi adquirido pelo conselho de Hertsmere e continua operando até hoje.