Mídia e Comunicação

História e Evolução do Jornal San Francisco Examiner

Pontos principais

  • Fundado em 1863 como Democratic Press, com viés pró-Confederação.
  • Tornou-se o pilar do império de William Randolph Hearst e pioneiro do jornalismo amarelo.
  • Sobreviveu ao terremoto de 1906, resultando na construção do Hearst Building.
  • Operou sob um acordo de operação conjunta com o San Francisco Chronicle por 35 anos a partir de 1965.
  • Atualmente pertence à Clint Reilly Communications e utiliza distribuição gratuita.

O San Francisco Examiner é um jornal distribuído na cidade de San Francisco, Califórnia, com uma trajetória que remonta a 1863. Ao longo de sua existência, o periódico passou por diversas transformações editoriais e de propriedade, sendo historicamente conhecido como a "joia da coroa" do império de mídia de William Randolph Hearst, que o autodenominou o "Monarca dos Diários". Atualmente, o jornal é de propriedade da Clint Reilly Communications, que adquiriu a publicação ao final de 2020, juntamente com o SF Weekly, e opera sob um modelo de distribuição gratuita.

Origens e Fundação

O jornal foi fundado em 1863 sob o nome de Democratic Press. Em seus primórdios, a publicação adotava uma linha editorial pró-Confederação, pró-escravidão e fortemente ligada ao Partido Democrata, posicionando-se abertamente contra Abraham Lincoln. Após o assassinato de Lincoln em 1865, a sede do jornal foi destruída por uma multidão enfurecida. Em 12 de junho de 1865, a publicação foi renomeada como The Daily Examiner.

A Era de William Randolph Hearst

Em 1880, o empreendedor e engenheiro de minas George Hearst adquiriu o Examiner. Sete anos depois, após ser eleito para o Senado dos Estados Unidos, George transferiu a propriedade do jornal para seu filho, William Randolph Hearst, então com 23 anos. Relatos indicam que George Hearst teria recebido o jornal, que enfrentava dificuldades financeiras na época, como pagamento parcial de uma dívida de pôquer.

Sob a gestão de William Randolph Hearst, o jornal passou por mudanças profundas. Ele contratou S.S. Chamberlain como editor-gerente e Arthur McEwen como editor, alterando a periodicidade do periódico de vespertino para matutino. A popularidade do Examiner cresceu exponencialmente, impulsionada pela contratação de escritores renomados como Ambrose Bierce, Mark Twain e Jack London.

O periódico tornou-se um expoente do chamado jornalismo amarelo, caracterizado por coberturas sensacionalistas, uso extensivo de correspondentes estrangeiros e foco em escândalos. Exemplos notáveis incluem a cobertura detalhada do Incidente de Mayerling e o entusiasmo patriótico em relação à Guerra Hispano-Americana e à anexação das Filipinas em 1898. Até 1889, Hearst já havia estabelecido o cabeçalho com a "Águia de Hearst" e o slogan "Monarch of the Dailies".

Impactos do Terremoto de 1906 e Reconstrução

O grande terremoto e incêndio de 1906 destruíram grande parte de San Francisco, incluindo as instalações do Examiner em 18 de abril daquele ano. Diante da catástrofe, o Examiner e seus principais rivais, o San Francisco Chronicle e o San Francisco Call, publicaram uma edição conjunta para informar a população.

Com a reconstrução da cidade, surgiu o Hearst Building, inaugurado em 1909 na interseção das ruas Third e Market. Em 1937, a fachada, a entrada e o saguão do edifício passaram por uma remodelação extensiva projetada pela arquiteta Julia Morgan.

Competição e Acordos Operacionais no Século XX

Durante boa parte do século XX, o Examiner competiu intensamente com outros diários da região, como o San Francisco News e o San Francisco Call-Bulletin. Eventualmente, a disputa concentrou-se entre o Examiner e o San Francisco Chronicle. Nas décadas de 1950 e 1960, o jornal contou com colunistas influentes, como o escritor esportivo Prescott Sullivan, o popular Herb Caen e o poeta Kenneth Rexroth.

A partir de 1965, o San Francisco Chronicle e o Examiner estabeleceram um Acordo de Operação Conjunta (Joint Operating Agreement - JOA) que durou 35 anos. Nesse modelo, o Chronicle publicava a edição matutina e o Examiner a vespertina. O Examiner era responsável pelas seções de notícias do jornal de domingo e pela revista colorida, enquanto o Chronicle fornecia as seções de variedades. A circulação média era de aproximadamente 100.000 exemplares em dias úteis e 500.000 aos domingos.

Conflitos Sociais e a "Sexta-feira da Mão Roxa"

Em 31 de outubro de 1969, o jornal foi alvo de protestos organizados pela Frente de Libertação Gay, o Comitê para a Liberdade Homossexual (CHF) e o grupo Gay Guerilla Theatre. A manifestação foi uma resposta a artigos que difamavam frequentadores de bares e clubes gays de San Francisco. O protesto, que começou pacífico, tornou-se tumultuado quando funcionários do jornal despejaram um barril de tinta de impressora sobre a multidão do telhado do edifício. Os manifestantes utilizaram a tinta para escrever slogans nas paredes e deixar marcas de mãos roxas pelo centro da cidade, evento que ficou conhecido como a "Sexta-feira da Mão Roxa" ou "Sexta-feira Sangrenta da Mão Roxa", tornando-se uma demonstração significativa do poder do movimento LGBTQ+ na época.

Perguntas frequentes

Quando foi fundado o San Francisco Examiner?

O jornal foi fundado em 1863, originalmente sob o nome de Democratic Press.

Quem foi William Randolph Hearst no contexto do jornal?

William Randolph Hearst assumiu o controle do jornal em 1887, transformando-o em um veículo de grande popularidade através do jornalismo amarelo e da contratação de escritores famosos.

O que foi a 'Sexta-feira da Mão Roxa'?

Foi um protesto ocorrido em 31 de outubro de 1969, onde manifestantes LGBTQ+ protestaram contra artigos difamatórios do jornal, resultando em confrontos onde tinta de impressora foi despejada sobre a multidão.

Qual a situação atual de propriedade do jornal?

O jornal é atualmente propriedade da Clint Reilly Communications, adquirido ao final de 2020.