Mídia de Massa no Egito: Panorama e Evolução
Pontos principais
- A influência da mídia egípcia estende-se por todo o mundo árabe devido à sua robusta indústria de TV e cinema.
- A liberdade de imprensa sofreu retrocessos significativos após a revolução de 2011 e o golpe de 2013, com aumento da censura e prisões de jornalistas.
- A imprensa no Egito foi introduzida por Napoleão Bonaparte durante a Campanha Francesa.
- A Universidade de Al-Azhar exerce forte influência na censura de conteúdos considerados blasfemos ou contrários à moral religiosa.
A mídia de massa no Egito exerce uma influência significativa não apenas dentro de suas fronteiras nacionais, mas em todo o mundo árabe. Essa proeminência é atribuída ao vasto público consumidor e a uma indústria histórica de televisão e cinema que fornece conteúdo para grande parte da população falante de árabe.
Contexto Político e Liberdade de Imprensa
A liberdade de imprensa no Egito tem sido marcada por instabilidades e períodos de forte controle governamental. Embora a Constituição egípcia garanta a liberdade de expressão, a aplicação prática desse direito é frequentemente limitada por leis restritivas.
Nos anos finais do governo de Hosni Mubarak, observou-se um período de relativa abertura. No entanto, após a revolução de 2011 e o golpe de estado de 2013, organizações como a Repórteres Sem Fronteiras alertaram para o retrocesso. Segundo a organização, governos sucessivos implementaram medidas para restringir a liberdade dos jornalistas, tornando a situação da liberdade de mídia "extremamente preocupante".
Atualmente, a mídia estatal mantém-se predominantemente leal ao governo do Presidente Abdel Fattah al-Sisi. Houve um fechamento sistemático de veículos de comunicação pró-islamistas, que passaram a operar, em muitos casos, a partir do exterior. Além disso, a lei antiterrorismo adotada em agosto de 2015 impôs restrições severas ao acesso de jornalistas e defensores de direitos humanos a certas regiões, como o Sinai, obrigando-os a reportar apenas as versões oficiais sobre ataques terroristas.
Concentração de Propriedade e Controle Digital
Desde 2011, houve um movimento de aquisição de jornais e veículos de comunicação privados por empresários ligados ao governo e aos serviços de inteligência. Esse fenômeno intensificou-se a partir de 2016, resultando em uma dominação do cenário midiático que afeta inclusive veículos nominalmente pró-governo.
O governo também expandiu sua presença no mercado com a criação da rede de televisão DMC, que oferece canais de notícias, esportes e entretenimento. A DMC estabeleceu um monopólio de fato sobre as filmagens em diversos eventos, dificultando o acesso de canais privados.
No ambiente digital, o governo egípcio implementou bloqueios a diversos websites. Em junho de 2017, pelo menos 62 sites foram banidos, incluindo veículos como Al Jazeera, The Huffington Post e Mada Masr, sob a justificativa de que continham material que "apoiava o terrorismo e o extremismo". Esse bloqueio levou ao aumento do uso de VPNs e ferramentas de evasão de censura, embora o protocolo OpenVPN tenha sido bloqueado em escala nacional.
História da Imprensa no Egito
A introdução da imprensa no Egito ocorreu durante a Campanha Francesa de Napoleão Bonaparte. Napoleão trouxe prensas de impressão em francês, árabe e grego, que eram tecnologicamente superiores em velocidade e eficiência às prensas utilizadas em Istambul na época.
Historicamente, a impressão era uma atividade especializada e limitada no Oriente Médio e na África até o século XVIII. A partir de 1720, a Prensa Mutaferrika em Istambul começou a produzir volumes substanciais de impressos, fato do qual alguns clérigos egípcios tinham conhecimento.
A Imprensa Escrita

A imprensa escrita no Egito é diversificada, contando com mais de 600 jornais, periódicos e revistas. Contudo, a maioria desses veículos é controlada pelo governo, por partidos de oposição ou outras entidades políticas.
Jornalistas de veículos privados enfrentam riscos de prisão ao publicar críticas ao Presidente, a instituições estatais ou líderes estrangeiros, frequentemente sob a acusação de "divulgar notícias falsas que prejudicam a reputação e os interesses do país".
Censura Religiosa e Cultural
A influência de instituições religiosas, como a Universidade de Al-Azhar, é notável na regulação do conteúdo. A Al-Azhar, considerada a autoridade religiosa máxima do governo, já peticionou a justiça para censurar textos considerados blasfemos. Um exemplo notável ocorreu em 2009, quando a licença da revista literária Ibdaa foi revogada após a publicação de um poema que comparava Deus a um camponês egípcio.
A justiça egípcia decidiu, na ocasião, que a liberdade de imprensa deve ser exercida com responsabilidade, não devendo tocar nos "fundamentos básicos da sociedade egípcia, a família, a religião e a moral".
Desenvolvimento Regional: Alexandria e Cairo
Entre o final do século XIX e o início do século XX, o Egito possuía periódicos tanto em árabe quanto em francês. Durante grande parte do século XIX, Alexandria foi o centro do jornalismo egípcio, abrigando importantes revistas literárias. No entanto, a partir da década de 1890, houve uma migração do foco editorial para o Cairo. Enquanto as publicações de Alexandria passaram a se concentrar mais em cultura, as publicações de natureza política concentraram-se na capital, Cairo.
Perguntas frequentes
Qual a situação atual da liberdade de imprensa no Egito?
A situação é considerada preocupante por organizações internacionais, com forte controle governamental, fechamento de veículos de oposição e restrições severas ao acesso de jornalistas a certas regiões, como o Sinai.
Como a imprensa foi introduzida no Egito?
A imprensa foi introduzida por Napoleão Bonaparte durante a Campanha Francesa, que trouxe prensas em francês, árabe e grego.
Qual o papel da Universidade de Al-Azhar na mídia?
A Al-Azhar atua como a autoridade religiosa máxima e frequentemente intervém para censurar textos ou publicações que considera blasfemos ou contrários aos valores religiosos e morais da sociedade egípcia.