Aviação Militar

Nanchang Q-5: O Avião de Ataque Terrestre da China

Pontos principais

  • Baseado no design do Shenyang J-6 (MiG-19), adaptado para ataque terrestre.
  • Possui um compartimento interno de armas de 4 metros, característica incomum para jatos de seu porte.
  • Exportado para países como Paquistão, Bangladesh, Mianmar e Sudão sob a designação A-5.
  • Substituído na Força Aérea Chinesa pelo Xi'an JH-7 durante a década de 2010.

O Nanchang Q-5 (designação chinesa: 强-5; pinyin: Qiang-5; nome de relatório da OTAN: Fantan) é um avião de ataque terrestre monomotor, de assento único e propulsão por dois motores a jato, desenvolvido na China durante a década de 1960. Baseado no design do Shenyang J-6, a aeronave foi projetada primariamente para missões de apoio aéreo aproximado (CAS - Close Air Support). Em suas versões de exportação, o modelo é conhecido como A-5.

Vista lateral do Nanchang Q-5 em voo
O Nanchang Q-5 em configuração de voo operacional.

Desenvolvimento e Design

A necessidade de um jato de ataque para apoio terrestre foi formalizada em agosto de 1958 pelo Exército de Libertação Popular da China, que já utilizava extensivamente o MiG-19 (produzido localmente como o Shenyang J-6). O projeto foi liderado por Lu Xiaopeng, que também foi responsável pelo caça J-12.

Embora derive do J-6, o Q-5 apresentou modificações significativas para otimizar sua função de ataque:

  • Fuselagem: Foi alongada e recebeu a aplicação de area ruling (regra de área) para reduzir o arrasto transônico e acomodar um compartimento interno de armas de 4 metros de comprimento.
  • Entradas de Ar: Foram deslocadas para as laterais da fuselagem, liberando espaço no nariz para um radar de alvo (embora este último não tenha sido implementado na maioria das versões).
  • Asas: Foram redesenhadas com maior área e menor ângulo de enflechamento para melhorar a estabilidade em baixas altitudes.
  • Propulsão: Utiliza os motores turbojato Liming Wopen WP-6 A (derivados do Tumansky RD-9), mantendo a velocidade em baixas altitudes comparável à do MiG-19/J-6.
Detalhe da fuselagem e entrada de ar do Q-5
A configuração da fuselagem do Q-5 reflete a adaptação do design do J-6 para missões de ataque.

Armamento e Capacidade de Carga

O armamento fixo do Q-5 consiste em dois canhões Type 23-1 de 23 mm, montados nas raízes das asas, com 100 munições por arma. A aeronave possui uma versatilidade considerável em termos de carga útil:

  • Carga Interna: O compartimento de armas pode carregar até 1.000 kg de armamento. Em muitas unidades modernas, este espaço é utilizado para tanques de combustível auxiliares.
  • Carga Externa: Dispõe de dois pilones sob cada asa e dois pares de pilones tandem sob os motores, permitindo o transporte de mais 1.000 kg de munições.

Histórico de Produção e Variantes

O desenvolvimento do Q-5 enfrentou interrupções devido ao clima político na China, sendo cancelado em 1961 e retomado posteriormente em Nanchang. O primeiro voo ocorreu em 4 de julho de 1965, com a produção em série iniciando em 1969 e as entregas aos esquadrões em 1970. Estima-se que cerca de 1.300 unidades tenham sido produzidas, incluindo 600 da versão atualizada Q-5A.

Principais Variantes

  • Q-5: Versão original de produção com seis pilones.
  • Q-5A: Versão aprimorada, com maior número de unidades produzidas.
  • Q-5I: Introduzida em 1983, substituiu o compartimento de armas por um tanque de combustível interno para maior alcance, adicionando dois pilones sob as asas. Algumas unidades da Marinha do Exército Popular de Libertação foram equipadas com radares para mísseis antinavio.
  • Q-5IA e Q-5II: Atualizações com novos sistemas de mira, aviônicos e receptor de alerta de radar (RWR).
  • A-5: Designação de exportação utilizada para vendas ao Paquistão, Bangladesh, Mianmar e Sudão.
Esquema técnico do Nanchang Q-5
Diagrama técnico evidenciando a disposição dos motores e armamento.
Nanchang Q-5 em exposição
Exemplar do Q-5 preservado em museu.
Vista frontal do Q-5
Vista frontal destacando a geometria das asas e entradas de ar.

Histórico Operacional

O Q-5/A-5 foi utilizado em diversos conflitos e contextos geopolíticos. A Força Aérea do Sudão empregou o A-5 durante a Guerra de Darfur. Em março de 2015, jatos A-5C de Mianmar, durante operações contra a Aliança Democrática Nacional de Mianmar, bombardearam acidentalmente uma vila chinesa no condado de Gengma, Yunnan, resultando na morte de quatro civis.

Na China, a aeronave foi gradualmente substituída pelo Xi'an JH-7 ao longo da década de 2010, sendo oficialmente aposentada em 2017.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o Q-5 e o A-5?

O Q-5 é a designação utilizada para as versões operadas pela China, enquanto o A-5 é a designação oficial para as versões de exportação vendidas a outros países.

O Nanchang Q-5 podia carregar armas nucleares?

Sim, algumas unidades foram modificadas para transportar pequenas bombas nucleares táticas, como parte de um programa da Força Aérea do Exército Popular de Libertação para deter possíveis invasões soviéticas, embora o programa tenha sido interrompido em 1979.

Quais eram as principais modificações do Q-5 em relação ao J-6?

As principais mudanças incluíram o alongamento da fuselagem com a aplicação de 'area ruling', a criação de um compartimento interno de armas, a alteração da posição das entradas de ar e a modificação das asas para maior estabilidade em baixas altitudes.