New Worlds: A Revista que Moldou a Ficção Científica Britânica
Pontos principais
- Fundada em 1936 como o fanzine Novae Terrae antes de ser renomeada para New Worlds em 1939.
- Foi o principal veículo de difusão da 'Nova Onda' (New Wave) da ficção científica britânica nos anos 60.
- Editada por figuras proeminentes como John Carnell e, posteriormente, Michael Moorcock.
- Lançou e promoveu a carreira de autores fundamentais como J.G. Ballard e Brian Aldiss.
A New Worlds foi uma das publicações mais influentes da história da ficção científica (SF) no Reino Unido. Iniciada em 1936 como um fanzine amador, a revista evoluiu para se tornar o principal veículo de experimentação literária no gênero, culminando no movimento conhecido como a "Nova Onda" (New Wave) nas décadas de 1960 e 1970.
Origens e a Era de John Carnell
A publicação teve início em 1936, fundada por Maurice K. Hanson em Nuneaton sob o nome de Novae Terrae (do latim, "novos mundos"), servindo como o órgão oficial da Science Fiction Association. Em 1939, John Carnell assumiu a editoria e renomeou a publicação para New Worlds, reiniciando a numeração dos volumes.
Após a interrupção causada pela Segunda Guerra Mundial, durante a qual Carnell serviu no Exército Britânico, a revista foi profissionalizada em 1946 através de um acordo com a Pendulum Publications. Embora os primeiros números tenham enfrentado dificuldades financeiras e de vendas, a mudança no design das capas e a redução de preços permitiram que a revista ganhasse tração no mercado.
Com a falência da Pendulum em 1947, a revista foi salva por um grupo de entusiastas que fundaram a Nova Publications em 1949. Sob a gestão de Carnell, o período até 1960 é frequentemente descrito pelo historiador de ficção científica Mike Ashley como a "Era de Ouro" da revista, consolidando-a como a principal publicação do gênero no Reino Unido.
A Era de Michael Moorcock e a Nova Onda
Em 1964, a revista foi adquirida pela Roberts & Vinter, e Michael Moorcock assumiu a editoria. Este período marcou a transição da New Worlds de uma revista de ficção científica tradicional para um laboratório de vanguarda. Quando a Roberts & Vinter abandonou a publicação em 1966 devido a problemas financeiros com a distribuidora, Moorcock conseguiu manter a revista de forma independente, graças a uma bolsa de estudos do Arts Council obtida por Brian Aldiss.
Sob a direção de Moorcock, a New Worlds tornou-se o epicentro da Nova Onda da ficção científica. A revista passou a priorizar material experimental e vanguardista, afastando-se dos tropos espaciais convencionais para explorar a psicologia humana, a entropia e a sociologia urbana. Essa mudança gerou debates intensos na comunidade de SF da época, dividindo opiniões entre os defensores da inovação literária e os puristas do gênero.
Diversos autores que se tornaram figuras centrais da ficção científica moderna publicaram regularmente na revista durante este período, incluindo:
- J. G. Ballard
- Brian Aldiss
- Thomas M. Disch
- Michael Moorcock
Declínio e Legado
A instabilidade financeira persistiu e, por volta de 1970, as dívidas acumuladas por Moorcock tornaram a publicação mensal insustentável. A partir da edição 201, a revista foi convertida em um formato trimestral de bolso (paperback quarterly). Apesar do encerramento de sua fase principal, o título foi revivido diversas vezes com a aprovação ou envolvimento direto de Moorcock, resultando em edições adicionais e antologias até 2021.

Perguntas frequentes
O que foi a 'Nova Onda' da ficção científica na New Worlds?
Foi um movimento literário liderado por Michael Moorcock na revista New Worlds, que priorizava a experimentação, a vanguarda e temas psicológicos e sociológicos em vez da tecnologia e exploração espacial tradicionais.
Quem fundou a revista New Worlds?
A revista começou como um fanzine chamado Novae Terrae, fundado por Maurice K. Hanson em 1936, sendo posteriormente renomeada para New Worlds por John Carnell em 1939.
Qual a importância de Michael Moorcock para a publicação?
Moorcock transformou a revista em um espaço para a ficção científica experimental e vanguardista, tornando-a o centro do movimento New Wave e apoiando autores inovadores.