Tecnologia

Plataforma Tryton

Pontos principais

  • É um fork do TinyERP (atual Odoo) lançado em 2008.
  • Utiliza arquitetura de três camadas: cliente, servidor e banco de dados (PostgreSQL).
  • É a base tecnológica do sistema de saúde GNU Health.
  • Licenciado sob a GPL-3.0-or-later, sendo um software livre.

O Tryton é uma plataforma de aplicação de computador de propósito geral, estruturada em três camadas, projetada para servir de base ao desenvolvimento de soluções de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP - Enterprise Resource Planning) por meio de um conjunto de módulos especializados.

Arquitetura do Sistema

A arquitetura do Tryton é dividida em três níveis distintos para garantir escalabilidade e separação de responsabilidades:

  • Cliente Tryton: A interface com a qual o usuário interage.
  • Servidor Tryton: A camada de lógica de negócio que processa as requisições.
  • Sistema de Gestão de Banco de Dados: Onde as informações são armazenadas, utilizando predominantemente o PostgreSQL.
Exemplo de formulário de vendas no Tryton versão 7.0
Interface de formulário de vendas do Tryton, exemplificando a estrutura de dados da plataforma.

Módulos e Cobertura Funcional

Através de seus módulos oficiais, a plataforma oferece cobertura para diversas áreas de gestão empresarial, incluindo:

  • Contabilidade financeira e analítica;
  • Vendas, compras e gestão de estoque;
  • Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM);
  • Planejamento de Recursos de Manufatura (MRP);
  • Gestão de projetos e de assinaturas;
  • Cadeia de suprimentos e logística de envio;
  • Integração com terceiros.

Características Técnicas

Tanto o cliente quanto o servidor são desenvolvidos na linguagem de programação Python. O cliente desktop utiliza o toolkit gráfico GTK+ e é compatível com Linux, macOS e Windows. Adicionalmente, existe um cliente web denominado sao, desenvolvido em JavaScript com jQuery e Bootstrap.

O Kernel do Tryton

O núcleo (kernel) da plataforma fornece as fundações técnicas necessárias para aplicações de negócio, mantendo-se independente de qualquer campo funcional específico. Suas principais funcionalidades incluem:

  • Persistência de Dados: Implementada através de objetos acessores chamados Models, que facilitam a criação, migração e acesso a registros.
  • Gestão de Usuários: Inclui grupos de usuários e regras de acesso detalhadas por modelos e registros.
  • Motor de Fluxo de Trabalho (Workflow): Permite a ativação de fluxos de trabalho personalizados em qualquer modelo de negócio.
  • Motor de Relatórios: Baseado na biblioteca relatorio, utiliza arquivos ODT como modelos para gerar documentos em PDF ou ODT.
  • Internacionalização: Suporte nativo a vários idiomas, incluindo inglês, francês, alemão, espanhol, catalão e italiano.
  • Historização de Dados: Permite rastrear valores passados de registros (como o preço de custo de um produto) e acessar o estado do sistema em datas retroativas.
  • Protocolos de Comunicação: Suporte para XML-RPC e JSON-RPC.
  • Independência de Banco de Dados: Utiliza a biblioteca python-sql, permitindo testes com SQLite, embora o PostgreSQL seja o padrão para produção.
  • Migração Automática: Mecanismo integrado que atualiza o esquema do banco de dados entre séries de versões sem intervenção manual.

Aplicações Além do ERP

Devido à sua natureza de framework, o Tryton pode ser utilizado para desenvolver soluções que transcendem a gestão empresarial. Um exemplo notável é o GNU Health, um sistema de informação hospitalar e de saúde livre baseado no Tryton.

Origem e História

O Tryton surgiu como um fork da versão 4.2 do TinyERP (projeto que posteriormente se tornou OpenERP e, atualmente, Odoo). A primeira versão oficial da plataforma foi publicada em novembro de 2008.

Governança e Gestão do Projeto

Diferente de outros softwares empresariais de código aberto, os fundadores do Tryton optaram por não criar uma rede de parceiros comercial, visando evitar conflitos entre parceiros e a comunidade de voluntários. O projeto é impulsionado por uma federação de empresas globais.

Desde dezembro de 2012, o projeto é apoiado pela Tryton Foundation, uma fundação privada belga sem fins lucrativos. A fundação é responsável por:

  • Desenvolvimento de conferências e atividades comunitárias;
  • Administração da infraestrutura do domínio tryton.org;
  • Organização da comunidade de apoiadores;
  • Gestão e promoção da marca Tryton.

O ciclo de lançamentos é organizado em séries. Uma nova série é lançada a cada seis meses, com manutenção de um ano. A cada cinco séries, é disponibilizada uma versão de Suporte de Longo Prazo (LTS) com validade de cinco anos.

Etimologia

O nome Tryton é uma combinação de Triton, o deus mitológico grego (filho de Posídon e Anfitrite), e Python, a linguagem de programação utilizada em sua implementação.

Perguntas frequentes

O que é o Tryton?

O Tryton é uma plataforma de software livre de propósito geral que permite a construção de soluções de ERP (Enterprise Resource Planning) através de módulos funcionais.

Qual a diferença entre o Tryton e o Odoo?

O Tryton originou-se como um fork do TinyERP (que depois se tornou Odoo), mas segue um modelo de governança diferente, baseado em uma federação de empresas e apoiado por uma fundação sem fins lucrativos, evitando a rede de parceiros comercial tradicional.

Quais linguagens de programação são usadas no Tryton?

O servidor e o cliente desktop são escritos em Python, enquanto o cliente web (sao) é desenvolvido em JavaScript.

O Tryton pode ser usado para fins que não sejam ERP?

Sim, por ser um framework generalista, ele pode ser usado para criar qualquer sistema de gestão. O GNU Health é o exemplo mais proeminente de aplicação não-ERP construída sobre o Tryton.