Poços de Alcatrão de La Brea
Pontos principais
- Localizado em Los Angeles, é um dos sítios paleontológicos urbanos mais importantes do mundo.
- Atua como uma 'armadilha de predadores', onde carnívoros morriam ao tentar comer presas presas no asfalto.
- Preserva fósseis do Pleistoceno, com os espécimes mais antigos datando de cerca de 38.000 anos.
- Foi utilizado pelos povos indígenas Chumash e Tongva para calafetar barcos.
Os Poços de Alcatrão de La Brea constituem um sítio de pesquisa paleontológica ativo localizado na área urbana de Los Angeles, Estados Unidos. Situados no Hancock Park, esses poços foram formados por infiltrações de asfalto natural (também conhecido como betume ou piche) que emergem do solo há dezenas de milhares de anos. Ao longo dos séculos, a substância viscosa atuou como uma armadilha natural, preservando os ossos de inúmeros animais que nela ficaram presos.
O local é reconhecido como um Marco Natural Nacional (National Natural Landmark) e abriga o George C. Page Museum, instituição dedicada à pesquisa e exposição dos espécimes recuperados do sítio.

Formação Geológica e Processo de Preservação
Os poços são compostos por frações de óleo pesado, conhecidas como gilsonita, que infiltram-se na superfície a partir do Campo de Óleo de Salt Lake, que se estende sob o distrito de Fairfax, ao norte do Hancock Park. O petróleo bruto ascende através da Falha de 6th Street e, ao atingir a superfície, forma poças. À medida que as frações mais leves do petróleo biodegradam ou evaporam, a substância transforma-se em asfalto.
Este processo de infiltração ocorre há milhares de anos. Frequentemente, as poças de asfalto eram cobertas por camadas de água, poeira ou folhas, tornando-as invisíveis para os animais. Quando um animal entrava na poça, ficava preso e morria. Esse mecanismo criou o que os paleontólogos chamam de "armadilha de predadores": carnívoros, atraídos pela presa presa no asfalto, também acabavam por ficar retidos e morrer no local.

À medida que os ossos afundavam, o asfalto penetrava na estrutura óssea, conferindo-lhes uma coloração marrom-escura ou preta. A evaporação subsequente das frações leves de petróleo solidificava a substância, encapsulando os fósseis. Além de grandes mamíferos, o sítio preserva microfósseis, incluindo restos de madeira, plantas, ossos de roedores, insetos, moluscos, sementes e grãos de pólen. Datações radiométricas em madeira e ossos preservados indicam que o material mais antigo do local data de aproximadamente 38.000 anos.

Histórico de Uso e Descoberta
Uso Indígena e Primeiros Registros
Os povos Chumash e Tongva utilizavam o alcatrão dos poços para a construção de embarcações de tábuas, selando troncos de sequoia da Califórnia que chegavam à costa do Canal de Santa Bárbara, permitindo a navegação ao longo da costa californiana e das Ilhas do Canal.
O primeiro registro escrito dos poços data de 1769, realizado pela expedição de Gaspar de Portolá. O Padre Juan Crespí descreveu as infiltrações como "Los Volcanes de Brea" (os Vulcões de Alcatrão), notando que a substância fervia como molida e era útil para calafetar embarcações.
Reconhecimento Paleontológico
Originalmente, as terras faziam parte da concessão mexicana de Rancho La Brea. Durante anos, ossos cobertos de alcatrão foram encontrados na propriedade, mas não foram inicialmente reconhecidos como fósseis, pois a fazenda perdia frequentemente animais domésticos (cavalos, gado, cães) que ficavam presos no asfalto, confundindo os observadores.
Foi apenas em 1901 que o geólogo W. W. Orcutt, da Union Oil, identificou corretamente que os ossos preservados nas poças de asfalto do rancho eram de animais pré-históricos. Antes da urbanização de Los Angeles, existiam mais de 100 poços distintos; atualmente, a maioria foi aterrada com rocha ou terra, restando cerca de doze acessíveis ao nível do solo.
Perguntas frequentes
O que são os Poços de Alcatrão de La Brea?
São infiltrações naturais de asfalto (betume) que emergem do solo em Los Angeles, criando armadilhas naturais que preservaram fósseis de animais da Era do Gelo.
Como os animais ficavam presos nos poços?
As poças de asfalto eram frequentemente cobertas por água ou detritos, tornando-as invisíveis. Os animais pisavam no asfalto viscoso e ficavam presos, incapazes de escapar.
Qual a importância científica de La Brea?
O local permite o estudo de ecossistemas do Pleistoceno, preservando não apenas grandes mamíferos, mas também microfósseis como pólen e sementes, essenciais para a reconstrução climática.
Quem descobriu os fósseis de La Brea?
Embora ossos fossem encontrados anteriormente, o geólogo W. W. Orcutt foi o primeiro a reconhecer, em 1901, que se tratava de fósseis pré-históricos.