Programa de Defesa Biológica dos Estados Unidos
Pontos principais
- A Estratégia Nacional de Biodefesa (2018) unificou os esforços de biodefesa dos EUA, incluindo a resposta a surtos naturais.
- O programa evoluiu de um braço defensivo de um programa ofensivo (iniciado em 1943) para uma estrutura puramente defensiva após 1969.
- O NICBR em Fort Detrick concentra agências do Departamento de Defesa, Saúde e Segurança Interna para pesquisa biológica coordenada.
- A Convenção de Armas Biológicas (BWC) de 1972 é o tratado internacional que proíbe a produção de armas biológicas, mas carece de mecanismos de verificação.
O Programa de Defesa Biológica dos Estados Unidos, atualmente integrado à Estratégia Nacional de Biodefesa, consiste em um esforço coordenado entre diversos níveis de governo, empresas privadas e outras partes interessadas para implementar atividades de biodefesa. A biodefesa é definida como um sistema de ações planejadas para neutralizar e reduzir os riscos de ameaças biológicas, além de preparar a infraestrutura para responder e recuperar-se de eventuais incidentes.
Estratégia Nacional de Biodefesa
A formalização de um esforço unificado ocorreu a partir da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) de 2016, que exigiu que altos funcionários do governo federal desenvolvessem conjuntamente uma estratégia nacional. Em 2018, o governo dos Estados Unidos publicou a Estratégia Nacional de Biodefesa, estabelecendo a estrutura oficial para a coordenação de todas as atividades de biodefesa no âmbito federal.
Para a execução desta estratégia, a Casa Branca emitiu um Memorando Presidencial sobre o Apoio à Biodefesa Nacional, que define as diretrizes e regras específicas para a implementação dos planos estratégicos. Um marco significativo desta nova abordagem foi a inclusão de surtos naturais como um componente vital do programa, reconhecendo que epidemias naturais representam riscos substanciais para as populações civis, animais e para a agricultura do país.
Evolução Histórica e Transição
O programa de defesa biológica teve origem como um esforço defensivo menor que coexistia com o programa de desenvolvimento e produção de armas biológicas ofensivas, ativo desde 1943. Inicialmente, a pesquisa de defesa médica foi conduzida pela Unidade Médica do Exército dos EUA (USAMU) entre 1956 e 1969. Após a descontinuação pública do programa ofensivo, essas atividades foram assumidas pelo Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA (USAMRIID).
Ambas as unidades estiveram sediadas em Fort Detrick, Maryland, local que também serviu como quartel-general dos Laboratórios de Guerra Biológica do Exército dos EUA. Atualmente, a missão é multiagencial e estritamente defensiva, focando no desenvolvimento de contramedidas contra agentes biológicos, em contraste com a antiga finalidade de criação de armamentos.
Estrutura Organizacional e o NICBR
A resposta a ameaças biológicas expandiu-se significativamente após os ataques com antraz em 2001. No Fort Detrick, o USAMRIID passou a ser acompanhado por outras agências de defesa biológica, incluindo:
- NIAID Integrated Research Facility: Vinculada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos.
- Centro Nacional de Análise e Contramedidas de Biodefesa: Vinculado ao Departamento de Segurança Interna.
- Centro Nacional de Análise Bioforense: Também vinculado ao Departamento de Segurança Interna.
Essas entidades, juntamente com a Unidade de Pesquisa de Ciência de Ervas de Doenças Estrangeiras do Departamento de Agricultura, formam a Confederação Interagencial Nacional para Pesquisa Biológica (NICBR).
Contexto Internacional e a Convenção de Armas Biológicas
A transição para um programa puramente defensivo foi consolidada pela decisão presidencial de 1969 de interromper a produção de armas biológicas e pelo acordo internacional de 1972, a Convenção sobre Armas Biológicas (BWC). A BWC proíbe o desenvolvimento, produção, armazenamento ou retenção de agentes biológicos e toxinas.
Contudo, a BWC é frequentemente criticada por não possuir mecanismos de monitoramento ou fiscalização, funcionando essencialmente como um acordo baseado na boa-fé entre as nações signatárias. Recentemente, surgiram debates sobre a interpretação do Artigo I da BWC, com alegações de que os Estados Unidos consideram que a proibição de armas biológicas não se aplica a agentes biológicos "não letais", o que diverge de interpretações históricas e da Lei Antiterrorismo de Armas Biológicas de 1989.
Perguntas frequentes
O que é a Estratégia Nacional de Biodefesa dos EUA?
É a estrutura oficial lançada em 2018 que coordena todos os esforços do governo federal, empresas privadas e parceiros para prevenir, responder e recuperar-se de ameaças biológicas, sejam elas deliberadas ou naturais.
Qual a diferença entre o antigo programa de armas biológicas e o atual?
O programa antigo (1941-1969) tinha objetivos ofensivos, focando na criação de armas. O programa atual é estritamente defensivo, focado em vacinas, tratamentos e detecção de agentes biológicos.
O que é o NICBR?
A Confederação Interagencial Nacional para Pesquisa Biológica (NICBR) é um complexo em Fort Detrick que reúne agências de diferentes departamentos governamentais (Defesa, Saúde e Segurança Interna) para colaborar em pesquisas de biodefesa.
Os EUA ainda produzem armas biológicas?
Oficialmente, não. Desde 1969 e com a adesão à Convenção de Armas Biológicas (BWC) de 1972, os EUA proibiram a produção e o armazenamento de agentes biológicos para fins ofensivos.