Micologia

Purpureocillium lilacinum: Fungo Nematicida e Patógeno Oportunista

Pontos principais

  • É um fungo filamentoso da família Ophiocordycipitaceae utilizado no controle biológico de nematoides.
  • Possui a capacidade de atuar como saprófito, micoparasita, entomopatógeno e nematófago.
  • É um agente causal de hialohifomicose em humanos, especialmente em pacientes imunocomprometidos.
  • Produz enzimas como proteases e quitinases para degradar a casca de ovos de nematoides.

O Purpureocillium lilacinum é uma espécie de fungo filamentoso pertencente à família Ophiocordycipitaceae. Este organismo apresenta uma notável versatilidade ecológica, sendo isolado de diversos habitats, incluindo solos cultivados e não cultivados, florestas, pastagens, desertos, sedimentos estuarinos, lodo de esgoto e insetos. Além disso, é frequentemente detectado na rizosfera de diversas culturas agrícolas e em ovos de nematoides, inclusive de fêmeas de nematoides de galha e cisto.

O fungo demonstra alta adaptabilidade térmica, com a capacidade de crescer em temperaturas que variam de 8 a 38 °C, embora seu crescimento ideal ocorra entre 26 e 30 °C. Possui também uma ampla tolerância ao pH e a capacidade de colonizar diversos substratos.

Taxonomia e Filogenia

Descrito originalmente em 1910 pelo micologista americano Charles Thom sob o nome Penicillium lilacinum, o fungo passou por diversas reclassificações taxonômicas. Foi transferido para o gênero Paecilomyces por Robert A. Samson em 1974. No entanto, estudos filogenéticos realizados na década de 2000 revelaram que o gênero Paecilomyces não era monofilético. Como resultado, foi criado o novo gênero Purpureocillium para acomodar a espécie. O nome do gênero faz referência aos conídios de cor púrpura produzidos pelo fungo.

Características Morfológicas

O P. lilacinum forma um micélio denso que dá origem aos conidióforos, os quais sustentam as fiálides onde os esporos são formados em longas cadeias. Quando há umidade e nutrientes adequados, esses esporos germinam.

Em cultura de ágar malte, as colônias crescem rapidamente, atingindo 5 a 7 cm de diâmetro em 14 dias a 25 °C. Inicialmente, as colônias apresentam-se brancas, tornando-se vináceas (tons de púrpura/vinho) durante a esporulação. O verso da colônia geralmente mantém tons vináceos.

  • Hifas vegetativas: Lisas, hialinas, com largura de 2,5 a 4,0 μm.
  • Conidióforos: Medem de 400 a 600 μm quando surgem de hifas submersas, sendo metade desse tamanho quando surgem de hifas aéreas.
  • Fiálides: Possuem uma base inchada que se afunila em um pescoço fino e distinto.
  • Conídios: Dispostos em cadeias divergentes, com formato elipsoide a fusiforme e paredes lisas ou levemente rugosas.

Este fungo não produz clamidósporos.

Ciclos de Vida e Estratégias Ecológicas

O Purpureocillium lilacinum é altamente adaptável em sua estratégia de sobrevivência. Dependendo da disponibilidade de nutrientes no microambiente, ele pode atuar de quatro formas distintas:

  1. Entomopatogênico: Parasita de insetos.
  2. Micoparasítico: Parasita de outros fungos.
  3. Saprofítico: Decompõe matéria orgânica morta.
  4. Nematófago: Parasita de nematoides.

Patogenicidade Humana

Embora seja incomum, o P. lilacinum pode causar doenças em humanos. A maioria dos casos relatados ocorre em pacientes imunocomprometidos ou indivíduos com dispositivos médicos implantados (como lentes intraoculares). Pesquisas recentes indicam que ele pode ser um patógeno emergente tanto em adultos imunocomprometidos quanto imunocompetentes. Junto com o Paecilomyces variotii, é uma das espécies mais comuns causadoras de hialohifomicose.

Uso como Agente de Controle Biológico

Nematoides parasitas de plantas causam perdas econômicas significativas em diversas culturas. Devido aos riscos ambientais, altos custos e diminuição da eficácia dos nematicidas químicos, o uso de agentes biológicos tornou-se uma alternativa viável.

Controle de Nematoides Parasitas

A associação do P. lilacinum com ovos de nematoides foi observada pela primeira vez em 1966, sendo posteriormente identificado parasitando ovos de Meloidogyne incognita no Peru. Desde então, o fungo foi isolado de diversos nematoides de cisto e de galha em várias partes do mundo.

Ensaios de campo realizados no Peru e, posteriormente, expandidos para 46 países através do Projeto Internacional Meloidogyne, demonstraram a eficácia do fungo em diferentes tipos de solo e climas. No entanto, a patogenicidade varia entre os isolados: alguns são parasitas agressivos, enquanto outros, morfologicamente idênticos, apresentam baixa ou nenhuma patogenicidade.

Mecanismos de Infecção e Enzimas

Para infectar o ovo do nematoide, o P. lilacinum adere à superfície do ovo, achatando-se contra ela. O fungo produz enzimas específicas para romper a casca do ovo, incluindo:

  • Proteases de serina: Com atividade biológica contra ovos de Meloidogyne hapla.
  • Quitinases: Enzimas que degradam a quitina, enfraquecendo a casca do ovo para permitir a penetração do fungo.

Perguntas frequentes

O que é o Purpureocillium lilacinum?

É um fungo filamentoso da família Ophiocordycipitaceae, conhecido por sua versatilidade ecológica e capacidade de parasitar nematoides, sendo amplamente estudado para o controle biológico na agricultura.

Como o P. lilacinum controla os nematoides?

O fungo infecta os ovos dos nematoides, produzindo enzimas como proteases e quitinases que degradam a casca do ovo, permitindo que o fungo penetre e destrua o embrião.

O Purpureocillium lilacinum pode causar doenças em humanos?

Sim, embora seja raro, ele pode causar hialohifomicose, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que possuem implantes médicos.

Qual a diferença entre o gênero Paecilomyces e Purpureocillium?

O P. lilacinum foi anteriormente classificado como Paecilomyces, mas estudos filogenéticos mostraram que o gênero Paecilomyces não era monofilético, levando à criação do gênero Purpureocillium para agrupar espécies relacionadas.

Em quais condições o fungo cresce melhor?

O crescimento ideal do P. lilacinum ocorre em temperaturas entre 26 e 30 °C, embora ele possa sobreviver em uma faixa mais ampla, de 8 a 38 °C.