Razzhimaya Kulaki: Drama sobre Trauma e Libertação
Pontos principais
- Venceu o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes 2021.
- Foi a entrada oficial da Rússia para o Oscar 94º na categoria de Melhor Filme Internacional.
- A narrativa é ambientada na Ossécia do Norte e filmada no idioma ossécia.
- Aborda temas de trauma pós-traumático relacionado ao cerco de Beslan.
Razzhimaya Kulaki (do russo: Разжимая кулаки; título em inglês: Unclenching the Fists) é um longa-metragem de drama russo de 2021, dirigido por Kira Kovalenko. O filme destaca-se por ser produzido no idioma ossécia e por sua abordagem visceral sobre trauma e controle familiar.
Premiações e Reconhecimento
Em julho de 2021, a obra foi laureada com o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes, consolidando a estreia de Kovalenko na direção de longas-metragens. Além do reconhecimento em Cannes, o filme foi selecionado como a representante oficial da Rússia para a categoria de Melhor Filme Internacional nos 94º Premios Oscar, embora não tenha avançado para a lista final de indicados.

Sinopse e Temáticas
A trama acompanha Ada, uma jovem que vive na pequena cidade de Mizur, na Ossécia do Norte, Rússia. Ada vive sob a repressão severa de seu pai, que controla rigorosamente sua aparência, proibindo-a de usar maquiagem, deixar o cabelo crescer ou sair de casa à noite.
O conflito central da personagem é agravado por uma condição médica: a incontinência urinária, consequência de traumas psicológicos e físicos decorrentes do cerco à escola de Beslan. Devido à proibição do pai em permitir que ela realize a cirurgia corretiva necessária, Ada é forçada a usar fraldas geriátricas diariamente, o que intensifica seu sentimento de vergonha, isolamento e desamparo.
A narrativa explora a dinâmica de poder familiar e a busca por autonomia, culminando no momento em que a doença do pai abre uma janela de oportunidade para que Ada tente escapar de sua realidade opressiva.
Elenco Principal
- Milana Aguzarova como Ada
- Alik Karayev como o Pai
- Soslan Khugayev como Akim
- Khetag Bibilov como Dakko
- Arsen Khetagurov como Tamik
- Milana Pagieva como Taira
Recepção Crítica
O filme recebeu avaliações predominantemente positivas da crítica especializada. No agregador Rotten Tomatoes, a obra detém um índice de aprovação de 88%, com o consenso crítico destacando a estreia ousada de Kira Kovalenko e a exploração de como os laços familiares podem ser simultaneamente suporte e sufocamento.
No Metacritic, a pontuação média ponderada é de 68/100, indicando "críticas geralmente favoráveis".
Análises Interpretativas
Diversos críticos analisaram a obra sob prismas sociopolíticos. Alex Bliziotis e Sasha Karsavina, escrevendo para a Los Angeles Review of Books, interpretaram o filme como uma metáfora para o clima cultural de revisionismo histórico na Rússia, onde minorias étnicas e linguísticas são frequentemente marginalizadas.
Gary M. Kramer, do Salon.com, elogiou a abordagem "urgente e não sentimental" da diretora, enquanto Diego Semerene, da Slant Magazine, descreveu a obra como um relato de como a desolação de uma nação se grava no corpo de uma mulher.
Perguntas frequentes
Qual é a principal premiação de Razzhimaya Kulaki?
O filme venceu o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes em julho de 2021.
Qual a relação do filme com o cerco de Beslan?
A protagonista, Ada, sofre de incontinência urinária como consequência dos traumas vividos durante o cerco à escola de Beslan, servindo como ponto central de seu sofrimento físico e psicológico.
Em qual idioma o filme foi produzido?
O filme foi produzido no idioma ossécia, refletindo a cultura e a região da Ossécia do Norte, na Rússia.
Quem dirigiu o filme?
O filme foi dirigido por Kira Kovalenko, marcando sua estreia em longas-metragens.