Schiltron: A Formação de Infantaria Escocesa
Pontos principais
- O schiltron era uma formação de infantaria compacta, comum nas Guerras de Independência da Escócia.
- Existiam duas variantes principais: a circular (estática e defensiva) e a retilínea (capaz de manobras ofensivas).
- Robert the Bruce é creditado por transformar o schiltron em uma arma ofensiva na Batalha de Bannockburn.
- Táticas similares de blocos de piques foram utilizadas em Flandres, Portugal e Itália durante a Idade Média.
O schiltron (também grafado como sheltron, sceld-trome ou shiltron) era uma formação compacta de tropas projetada para criar uma barreira defensiva, funcionando como uma muralha de escudos ou uma falange de infantaria. Embora o termo tenha raízes linguísticas mais antigas, ele é mais fortemente associado às formações de piques escocesas utilizadas durante as Guerras de Independência da Escócia, entre o final do século XIII e o início do século XIV.
Etimologia e Origens
O termo data de pelo menos 1000 d.C. e deriva de raízes do inglês antigo que remetem à ideia de uma "tropa de escudos". Alguns pesquisadores sugerem que o schiltron seja um descendente direto da muralha de escudos anglo-saxã. Outras teorias apontam para uma origem em formações circulares vikings, compostas por centenas de combatentes em proximidade extrema, visando criar um obstáculo intransponível para cargas de cavalaria.
A primeira menção documentada do schiltron como uma formação específica de lanceiros ocorreu na Batalha de Falkirk, em 1298. No entanto, acredita-se que a tática possa ter tido um histórico anterior na Escócia, possivelmente influenciada pelos Pictos, que utilizavam blocos de lanças como base de seus exércitos.
Tipos de Formação
Schiltrons Circulares
As formações circulares eram essencialmente estáticas e defensivas. Dois exemplos notáveis ocorreram na Escócia: o exército de William Wallace na Batalha de Falkirk (1298) e parte das forças de Thomas Randolph no primeiro dia da Batalha de Bannockburn (1314).
Na Batalha de Falkirk, a formação foi reforçada com estacas fincadas no solo e cordas conectando as linhas. As fileiras frontais permaneciam ajoelhadas com a base das lanças fixada na terra, enquanto as fileiras traseiras nivelavam suas armas sobre a cabeça dos companheiros, criando uma densidade de lanças de aproximadamente 3,6 metros (doze pés) que impedia a penetração da cavalaria.
Schiltrons Retilíneos
Diferente da versão circular, a formação retilínea permitia tanto ações defensivas quanto ofensivas. Esta evolução tática é creditada a Robert the Bruce, especialmente na Batalha de Bannockburn. Bruce treinou suas tropas para utilizar o pique de forma ofensiva, exigindo alta disciplina, o que permitiu ao exército escocês enfrentar as forças inglesas em terrenos planos e firmes, adequados para a cavalaria.
A transição para a tática ofensiva foi uma resposta à derrota esmagadora em Falkirk, onde a formação estática falhou diante da combinação de arqueiros longbowmen galeses, arqueiros ingleses e cavalaria. Relatos de cronistas ingleses sobre Bannockburn descrevem a formação como uma "cerca densa" e uma "falange impenetrável", com soldados armados com machados e lanças, mantendo os escudos firmemente travados à frente.
Uso por Outras Forças
Embora seja um desenvolvimento proeminente na Escócia, o termo também foi aplicado a infantarias inglesas, como nas Batalhas de Bannockburn e de Boroughbridge (1322), onde a formação retilínea era utilizada, por vezes com os flancos curvados para trás.
Paralelos Europeus
O schiltron insere-se em um contexto mais amplo de combate de infantaria no norte da Europa durante a Idade Média. Formações de infantaria densas e com múltiplas fileiras eram comuns em diversas regiões:
- Flandres: As milícias flamengas utilizavam blocos profundos de homens com lanças fixadas no solo para resistir à cavalaria, culminando na Batalha de Courtrai (1302), onde derrotaram o exército francês. Também utilizavam formações em "coroa", semelhantes às circulares escocesas.
- País de Gales: Tropas galesas utilizaram formações similares nas batalhas de Orewin Bridge (1282) e Maes Moydog (1295), embora com menos sucesso.
- Portugal: Na Batalha de Aljubarrota (1385), tropas portuguesas, auxiliadas por ingleses, utilizaram uma formação quadrada de soldados armados com piques contra os exércitos castelhanos.
- Itália: Na Batalha de Legnano (1176), o exército milanês utilizou formações similares para defender o Carroccio contra as forças de Frederico Barbarossa.
Perguntas frequentes
O que era um schiltron?
Era uma formação militar compacta de infantaria, geralmente composta por lanceiros ou piqueiros, que formava uma muralha de escudos ou falange para resistir a ataques de cavalaria.
Qual a diferença entre o schiltron circular e o retilíneo?
O circular era essencialmente estático e defensivo, ideal para resistir a cercos ou cargas frontais. O retilíneo era mais versátil, podendo ser usado tanto para defesa quanto para avançar ofensivamente contra o inimigo.
Qual a importância de Robert the Bruce para esta tática?
Robert the Bruce evoluiu o uso do schiltron, treinando seus soldados para a ofensiva, o que foi crucial para a vitória escocesa na Batalha de Bannockburn em 1314.
O schiltron foi usado apenas na Escócia?
Não. Embora o termo seja escocês, formações similares de infantaria densa com piques foram utilizadas por flamengos, portugueses e milaneses em diversas batalhas medievais europeias.