Sociedade para o Patrimônio Nacional do Irã
Pontos principais
- Fundada em 1922 por intelectuais nacionalistas iranianos para proteger o patrimônio cultural do país.
- Atuou contra o monopólio arqueológico francês, defendendo que os artefatos permanecessem no Irã.
- Responsável pelo planejamento e construção de diversos mausoléus icônicos, incluindo os de Ferdowsi e Avicena.
A Sociedade para o Patrimônio Nacional do Irã (SNH; do persa: anjoman asar-e meli) foi uma organização política e arqueológica de base, fundada em 1922 por um grupo de intelectuais e nacionalistas iranianos. Surgida ao final do período de governança Qajar, a sociedade reuniu figuras influentes da época com o objetivo central de preservar artefatos, proteger sítios arqueológicos e salvaguardar a cultura iraniana.
Contexto Histórico e Fundação
O início do século XX no Irã foi marcado por intensas transformações sociais e políticas, concomitantes a um período de grandes descobertas arqueológicas. A Revolução Constitucional Persa de 1906 alterou a percepção do controle absoluto do Xá, resultando na criação de um Parlamento que limitou o poder monárquico. Esse movimento abriu espaço para que poetas e literatos, afastados da corte Qajar, passassem a atuar na esfera pública.
Simultaneamente, o interesse estrangeiro pela história e arqueologia iranianas atingiu o ápice, com estudiosos da França, Inglaterra e Rússia competindo por acesso ao território. A França, em particular, exerceu forte influência. Embora tenha contribuído para a preservação de artefatos, especialmente em Susa, houve tensões devido à tentativa de estabelecer um monopólio sobre as descobertas. O arqueólogo francês Jacques de Morgan, inicialmente proponente de um museu nacional em Teerã em 1897, posteriormente defendeu que os artefatos fossem enviados para a França.
Essa postura gerou ressentimento entre intelectuais iranianos seculares, que se opunham à exportação da história do país. Após o golpe de estado de 1921, liderado por Reza Shah Pahlavi e Zia'eddin Tabatabaee, figuras patrióticas como Mohammad Ali Foroughi (Zoka al-Molk), Ebrahim Hakimi (Hakim al-Molk) e Hassan Pirnia (Moshir al-Dowleh) fundaram a SNH para defender e proteger o patrimônio nacional.
Objetivos e Realizações
A missão da SNH concentrava-se na preservação, proteção e promoção do patrimônio iraniano, focando em três pilares principais:
- Institucionalização: Estabelecimento de um museu e uma biblioteca em Teerã, visando encerrar o monopólio arqueológico francês no país.
- Catalogação: Identificação e registro rigoroso de todos os artefatos e monumentos que necessitassem de reparos ou catalogação.
- Inventário: Elaboração de uma lista detalhada de todas as antiguidades em posse do governo ou de outros grupos relacionadas à história antiga do Irã.
A organização foi fundamental na articulação de fundos junto ao Parlamento iraniano para viabilizar esses projetos.
Projetos Arquitetônicos e Mausoléus
A SNH desempenhou um papel crucial no design e financiamento de diversos monumentos nacionais, frequentemente utilizando estilos arquitetônicos aquemênidas para reforçar a identidade nacional. Entre as obras mais notáveis estão:
- Túmulo de Ferdowsi: Projeto iniciado em 1928 e concluído em 1934, coincidindo com a celebração do milênio de Ferdowsi em Tus.
- Mausoléu de Avicena: Construído em Hamedan em 1944.
- Mausoléu de Saadi Shirazi: Localizado em Shiraz.
- Mausoléu de Nader Shah: Localizado em Mashhad.
- Mausoléu de Baba Tahir: Localizado em Hamedan.
- Túmulo de Omar Khayyam: Localizado em Nishapur.
A atuação da sociedade expandiu-se através de conexões com figuras seculares influentes, como Abdolhossein Teymourtash e Keikhosrow Shahrokh, consolidando a influência da SNH nas decisões culturais e arquitetônicas do Estado iraniano durante aquele período.
Perguntas frequentes
O que foi a Sociedade para o Patrimônio Nacional do Irã?
Foi uma organização fundada em 1922 por intelectuais iranianos com o objetivo de preservar artefatos, sítios arqueológicos e a cultura nacional, combatendo a exportação de tesouros históricos para a Europa.
Qual a relação da SNH com a França?
A SNH surgiu em parte como resposta ao desejo de arqueólogos franceses, como Jacques de Morgan, de monopolizar as descobertas arqueológicas e exportar artefatos iranianos para a França.
Quais monumentos a SNH ajudou a construir?
A sociedade foi fundamental na criação de diversos mausoléus, como os de Ferdowsi (Tus), Avicena (Hamedan), Saadi Shirazi (Shiraz) e Omar Khayyam (Nishapur).