Sophia Huang Xueqin: Ativismo e Direitos das Mulheres na China
Pontos principais
- Figura central do movimento #MeToo na China e cofundadora da aliança 'Hard Candy'.
- Publicou relatório revelando que mais de 80% das jornalistas chinesas já sofreram assédio sexual.
- Condenada em junho de 2024 a cinco anos de prisão por subversão do poder estatal.
Sophia Huang Xueqin (nascida em 1988) é uma jornalista independente, ativista dos direitos das mulheres e figura central do movimento #MeToo na China. Com trajetória iniciada no jornalismo investigativo em Guangzhou, Huang tornou-se uma voz proeminente na denúncia de abusos sistêmicos contra mulheres no ambiente profissional e acadêmico chinês.
Trajetória no Jornalismo e Pesquisa sobre Assédio
Antes de atuar como jornalista independente, Huang trabalhou em diversos jornais em Guangzhou. Em outubro de 2017, ela iniciou uma pesquisa abrangente sobre as experiências de jornalistas mulheres na China em relação ao assédio sexual, coletando 416 respostas. Os resultados, publicados em 7 de março de 2018, revelaram que mais de 80% das jornalistas entrevistadas já haviam sofrido assédio sexual, e 42,2% haviam sido vítimas de assédio em mais de uma ocasião.
O Movimento #MeToo na China e o Caso Beihang
Huang desempenhou um papel fundamental na catalisação do movimento #MeToo no território chinês. Em outubro de 2017, Luo Xixi, graduada em doutorado pela Universidade Beihang, denunciou anonimamente o assédio sistemático praticado por seu orientador, o professor Chen Xiaowu. Diante da inércia da universidade, Luo buscou o apoio de Huang.
Juntas, elas criaram a aliança denominada "Hard Candy". Em 1º de janeiro de 2018, a aliança expôs as condutas de Chen Xiaowu via Weibo, alcançando mais de três milhões de visualizações em apenas um dia. A repercussão forçou a Universidade Beihang a revogar as credenciais de ensino de Chen, e o Ministério da Educação da China retirou dele o título de "Changjiang Scholar".
Perseguições e Detenções
A atuação de Huang Xueqin resultou em sucessivas retaliações por parte das autoridades chinesas:
- Detenção em 2019: Em junho de 2019, Huang participou de protestos contra o projeto de lei de extradição de Hong Kong e relatou sua experiência na plataforma Matters. Em outubro do mesmo ano, ela foi presa pela polícia de Guangzhou sob a acusação de "provocar discórdias e causar problemas", sendo libertada sob fiança em 17 de janeiro de 2020.
- Prisão em 2021: Em 19 de setembro de 2021, Huang e o defensor dos direitos dos trabalhadores Wang Jianbing desapareceram em Guangzhou. Na época, Huang havia recebido uma bolsa de estudos Chevening para cursar estudos de desenvolvimento na Universidade de Sussex, no Reino Unido.
Em novembro de 2021, confirmou-se que ambos haviam sido detidos pelo Departamento de Segurança Pública de Guangzhou sob a acusação de incitação à subversão do poder estatal. De acordo com grupos de apoio, a acusação baseou-se em reuniões diárias na residência de Wang e na publicação de artigos e discursos que supostamente atacavam o governo nacional em redes sociais, além da organização de treinamentos online sobre "ações não violentas".
Condenação e Reconhecimento Internacional
Em junho de 2024, Huang Xueqin foi condenada a cinco anos de prisão por subversão do poder estatal. Wang Jianbing recebeu uma sentença de três anos e meio. Grupos de apoio indicaram que Huang pretendia recorrer da decisão.
Internacionalmente, seu trabalho e a injustiça de sua detenção foram reconhecidos pela International Women's Media Foundation (IWMF), que lhe concedeu, em 2022, o Wallis Annenberg Justice for Women Journalists Award, prêmio destinado a jornalistas injustamente encarceradas.
Perguntas frequentes
Quem é Sophia Huang Xueqin?
É uma jornalista independente e ativista chinesa, reconhecida por liderar denúncias de assédio sexual contra mulheres na China e por sua atuação no movimento #MeToo.
O que foi a aliança 'Hard Candy'?
Foi uma coalizão criada por Huang Xueqin e Luo Xixi para expor o assédio sexual praticado por professores na Universidade Beihang, marcando o início do movimento #MeToo na China.
Por que Huang Xueqin foi presa?
Ela foi detida inicialmente em 2019 por 'provocar discórdias' e, posteriormente, em 2021, sob a acusação de incitar a subversão do poder estatal, sendo condenada a cinco anos de prisão em 2024.