História e Política Internacional

A União Soviética e a Organização das Nações Unidas

Pontos principais

  • A União Soviética foi membro fundador da ONU e membro permanente do Conselho de Segurança.
  • A URSS detinha três assentos na ONU entre 1945 e 1991 (URSS, Ucrânia e Bielorrússia).
  • Até 1973, a União Soviética foi responsável pela grande maioria dos vetos no Conselho de Segurança da ONU.
  • O assento da URSS na ONU foi transferido para a Federação Russa após a dissolução do bloco em 1991.

A União Soviética (URSS) foi um dos membros fundadores da Organização das Nações Unidas (ONU) e ocupou, desde a sua criação, uma posição de destaque como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Após a dissolução da União Soviética em 1991, seu assento na organização foi transferido para a Federação Russa, reconhecida como o estado continuador da URSS.

Papel na Fundação da ONU

A União Soviética desempenhou um papel ativo na estruturação da ONU e de outras organizações internacionais. A participação soviética na fundação da organização em 1945 ocorreu sob a influência de pressões dos Estados Unidos, embora o secretário-geral soviético, Joseph Stalin, tenha demonstrado hesitação inicial em aderir ao grupo.

A estrutura da ONU foi delineada em conferências cruciais, como a Conferência de Teerã e a Conferência de Dumbarton Oaks, onde delegados soviéticos contribuíram para a definição do funcionamento da organização. O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, foi fundamental ao trabalhar para convencer Stalin a integrar a ONU.

Durante a Conferência de Dumbarton Oaks, a URSS demandou que até mesmo questões procedimentais no Conselho de Segurança pudessem ser vetadas, o que permitiria bloquear a discussão de qualquer tópico. No entanto, na Conferência de Yalta, a União Soviética concordou que o poder de veto não se aplicaria a questões de natureza procedimental.

Documento histórico relacionado à diplomacia soviética
Representação diplomática e estrutura de governança da União Soviética durante sua atuação internacional.

A Questão dos Assentos e a Representação

Inicialmente, a ONU possuía uma maioria ocidental. Com o processo de descolonização, diversos estados recém-independentes, incluindo países aliados da URSS e nações não alinhadas, ingressaram na organização, alterando a dinâmica de poder na Assembleia Geral.

Houve tensões iniciais quanto à admissão de novos membros. A URSS protestou contra a entrada das Filipinas e da Índia Britânica, cujas independências eram, na época, teóricas. Em contrapartida, a União Soviética solicitou que todas as suas quinze repúblicas fossem reconhecidas como estados membros da ONU. Os Estados Unidos responderam com a contraproposta de que todos os seus 48 estados também recebessem reconhecimento similar.

O impasse foi resolvido na Conferência de Yalta, onde se chegou a um compromisso: duas repúblicas soviéticas — a República Socialista Soviética da Ucrânia e a República Socialista Soviética da Bielorrússia — foram admitidas como membros plenos. Consequentemente, entre 1945 e 1991, a União Soviética foi representada por três assentos na ONU. Este acordo foi apoiado pelo ministro das Relações Exteriores britânico, Anthony Eden, para garantir que a Índia Britânica também tivesse seu próprio assento, similar ao que possuía na Liga das Nações.

O Conselho de Segurança e o Poder de Veto

A União Soviética via o poder de veto como um pilar essencial para a manutenção da estabilidade e a proteção de seus interesses nacionais. O representante soviético na ONU em 1950, Andrei Y. Vishinsky, descreveu o poder de veto como o "princípio primordial, que constitui a pedra angular das Nações Unidas".

A URSS utilizou o veto de forma extensiva, especialmente nas primeiras décadas da organização. Até 1973, a União Soviética havia lançado 109 vetos de um total de 128 utilizados pelo Conselho de Segurança naquele período. Estudos indicam que, em 75% dos casos em que a URSS vetou, a ONU acabou tomando outras medidas alternativas para lidar com as questões em pauta.

Relações com a China

A representação da China na ONU foi um ponto de conflito significativo a partir de 1949, após a vitória do Partido Comunista Chinês na Guerra Civil Chinesa e a retirada dos Nacionalistas para a ilha de Taiwan. A disputa centrou-se em qual governo deveria deter o assento da China: o governo comunista da China continental ou o governo nacionalista da República da China. A União Soviética apoiou consistentemente o governo comunista da China continental.

Perguntas frequentes

Por que a União Soviética tinha três assentos na ONU?

Como resultado de um compromisso na Conferência de Yalta, a URSS e duas de suas repúblicas, a Ucrânia e a Bielorrússia, foram admitidas como membros plenos para equilibrar interesses diplomáticos e garantir a representação da Índia Britânica.

Qual era a importância do poder de veto para a URSS?

A União Soviética considerava o veto a "pedra angular" da ONU, utilizando-o para bloquear resoluções que considerasse contrárias aos seus interesses ou aos de seus aliados, especialmente durante a Guerra Fria.

O que aconteceu com o assento da URSS após 1991?

Com a dissolução da União Soviética, a Federação Russa foi reconhecida como o estado continuador da URSS, herdando legalmente seu assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.