Atentado ao Voo 182 da Air India
Pontos principais
- O Voo 182 da Air India foi destruído por uma bomba em 23 de junho de 1985, matando todas as 329 pessoas a bordo.
- Foi o pior ataque terrorista na história do Canadá e o ato de terrorismo aéreo mais letal do mundo até 2001.
- Apenas Inderjit Singh Reyat foi condenado por montar as bombas.
- O inquérito de 2010 concluiu que houve falhas graves de inteligência e segurança do governo canadense.
O Voo 182 da Air India foi um voo internacional programado que partiu do Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, com destino ao Aeroporto Internacional Sahar, em Mumbai, realizando escalas regulares em Montreal, Londres e Deli. Na manhã de 23 de junho de 1985, a aeronave Boeing 747, que operava o trecho Montreal-Londres, explodiu no ar sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa da Irlanda, devido a uma bomba plantada por terroristas sikhs do grupo Babbar Khalsa.

O desastre resultou na morte de todas as 329 pessoas a bordo, incluindo 268 cidadãos canadenses, 27 britânicos e 22 indianos. Este evento é registrado como o pior ataque terrorista na história do Canadá e foi o ato de terrorismo aéreo mais mortal do mundo até os ataques de 11 de setembro de 2001. Permanece como o incidente de aviação mais letal da história da Air India e a perda de casco de um único Boeing 747 sem sobreviventes mais mortal já registrada.
Planejamento e Execução
Acredita-se que os principais responsáveis pelo atentado tenham sido Inderjit Singh Reyat, um nacional britânico-canadense, e Talwinder Singh Parmar, associado ao grupo separatista khalistani Babbar Khalsa. O plano consistia em duas bombas coordenadas para explodir no mesmo dia.
- Voo 182: A bomba foi colocada em uma mala que viajou em voos da Canadian Pacific Air Lines de Vancouver para Montreal, conectando-se posteriormente ao Voo 182 da Air India.
- Voo 301: Uma segunda bomba deveria ter explodido a bordo do Voo 301 da Air India (rota Tóquio-Bangkok-Deli). No entanto, a mala explodiu prematuramente no Aeroporto Internacional de Narita, em Tóquio, matando dois funcionários de bagagem. Fragmentos desta explosão forneceram evidências cruciais para ligar Reyat ao crime.
As bombas iniciaram sua jornada no Aeroporto Internacional de Vancouver, evidenciando a natureza transnacional do complô, que envolveu cidadãos e governos de cinco nações.
Investigação e Consequências Jurídicas
A investigação e a subsequente perseguição judicial duraram quase vinte anos, tornando-se o julgamento mais caro da história do Canadá, com um custo aproximado de 130 milhões de dólares canadenses. Apesar de diversas prisões, apenas Inderjit Singh Reyat foi condenado. Em 2003, Reyat declarou-se culpado de homicídio culposo por ter montado as bombas que explodiram no Voo 182 e no Aeroporto de Narita, sendo sentenciado a quinze anos de prisão.
Outros acusados, como Ripudaman Singh Malik e Ajaib Singh Bagri, foram declarados inocentes. Em 2006, o Governador Geral em Conselho nomeou o ex-juiz da Suprema Corte, John C. Major, para conduzir uma comissão de inquérito sobre as falhas na prevenção do ataque. O relatório final, publicado em 17 de junho de 2010, concluiu que uma "série cascateante de erros" cometidos pelo Governo do Canadá, a Polícia Montada do Canadá (RCMP) e o Serviço de Inteligência de Segurança do Canadá (CSIS) permitiu que o ataque ocorresse.
Contexto Histórico e Motivações


Durante a década de 1970, houve uma migração significativa de sikhs para o oeste do Canadá, especialmente para a região de Vancouver, que se tornou o maior centro de população sikh fora da Índia. As tensões cresceram a partir de eventos na Índia, como o conflito de 13 de abril de 1978 em Amritsar, envolvendo a Missão Sant Nirankari e seguidores de Jarnail Singh Bhindranwale. A violência resultante e a subsequente absolvição de acusados Nirankaris levaram alguns sikhs ortodoxos a acreditar em uma conspiração para difamar a religião sikh.
Esse ambiente de radicalização fomentou a criação de grupos como o Babbar Khalsa, fundado por Bibi Amarjit Kaur, e o Dal Khalsa, com o objetivo de demandar um estado sikh soberano (Khalistan). A retórica contra inimigos percebidos do sikhismo e a influência de líderes como Bhindranwale criaram a justificativa para ataques violentos contra alvos associados ao governo indiano ou a quem fosse considerado traidor da causa separatista.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas morreram no atentado ao Voo 182 da Air India?
Um total de 329 pessoas morreram, incluindo 268 canadenses, 27 britânicos e 22 indianos.
Quem foi o responsável por montar as bombas?
Inderjit Singh Reyat, um nacional britânico-canadense, foi a única pessoa condenada por montar as bombas que explodiram no Voo 182 e no Aeroporto de Narita.
Qual grupo terrorista estava envolvido?
O grupo separatista sikh Babbar Khalsa foi implicado no planejamento e execução do atentado.
Qual foi a falha do governo canadense?
O relatório de John C. Major concluiu que houve uma 'série cascateante de erros' por parte do governo, da RCMP e do CSIS que permitiram a ocorrência do ataque.