Auteurismo Vulgar: A Reavaliação do Cinema de Entretenimento
Pontos principais
- O auteurismo vulgar defende a análise séria de cineastas de gêneros populares (ação, horror, sci-fi) frequentemente ignorados pela crítica tradicional.
- O termo foi cunhado por Andrew Tracy em 2009 e posteriormente popularizado por comunidades de cinefilia online, como a MUBI.
- O movimento prioriza a análise do estilo visual e a assinatura estética do diretor sobre a temática ou a qualidade narrativa convencional.
O auteurismo vulgar é um movimento de crítica cinematográfica e cinefilia que emergiu no início da década de 2010. Sua premissa central é a defesa e a reavaliação de cineastas que operam predominantemente em gêneros populares — como horror, ficção científica e ação — e cujas obras frequentemente receberam pouca atenção ou críticas negativas do mainstream crítico.
O movimento é descrito como um esforço crítico comprometido em analisar a arte "não séria" do cinema de entretenimento (o chamado popcorn cinema) com rigor e seriedade absoluta.
Origens e Desenvolvimento
Embora tenha se consolidado como termo nos anos 2010, o crítico Peter Labuza sugere que o auteurismo vulgar funcionou como um movimento inconsciente antes de ser formalmente nomeado. As primeiras críticas que exemplificam essa abordagem foram publicadas na revista canadense Cinema Scope entre 2006 e 2007.
O termo foi cunhado em 2009 pelo escritor Andrew Tracy em seu artigo "Vulgar Auteurism: The Case of Michael Mann". Inicialmente utilizado com uma conotação pejorativa, o termo foi posteriormente reapropriado por John Lehtonen, usuário da plataforma MUBI. Com o tempo, a revista online do MUBI passou a publicar diversos artigos defendendo diretores e gêneros marginalizados pela crítica tradicional.
Relação com a Teoria do Autor
O conceito deriva da teoria do autor (ou auteurismo), pilar da crítica cinematográfica que propõe que o diretor é o autor principal de um filme. Segundo essa teoria, as obras devem ser analisadas não isoladamente, mas como parte de um corpo de trabalho maior do cineasta. O auteurismo clássico foi introduzido por críticos franceses da revista Cahiers du Cinéma nos anos 1950 e popularizado nos Estados Unidos por Andrew Sarris na década de 1960.
Há paralelos traçados por críticos como Richard Brody (The New Yorker) e Scott Foundas (Variety) entre os proponentes do auteurismo vulgar e os pioneiros do auteurismo francês. No entanto, muitos defensores do movimento argumentam que o auteurismo vulgar se distingue da teoria clássica por priorizar o estilo visual em detrimento dos temas, gerando debates sobre se o movimento é uma categoria independente ou apenas um subconjunto da teoria do autor.
Difusão e Controvérsias
O movimento ganhou visibilidade quando Ignatiy Vishnevetsky, um de seus principais defensores, tornou-se coapresentador do programa Ebert Presents: At the Movies. Contudo, a terminologia permaneceu obscura para o público geral até a publicação do artigo "Fast & Furious & Elegant: Justin Lin and the Vulgar Auteurs", escrito por Calum Marsh no The Village Voice em 24 de maio de 2013.
A publicação de Marsh gerou controvérsia imediata. Enquanto alguns discordavam dos cineastas exaltados, outros questionavam a necessidade de criar um termo novo para algo que já estaria contemplado pela teoria do autor. O crítico Nick Pinkerton, embora tenha escrito ensaios em praise de diretores associados ao movimento (como Paul W. S. Anderson), criticou a nomenclatura, classificando-a como uma "estratégia para atrair atenção" e argumentando que não havia justificativa persuasiva para modificar o auteurismo tradicional.
Cineastas Associados
O auteurismo vulgar tende a focar em diretores cujo estilo visual é marcante, independentemente da recepção crítica de seus roteiros ou narrativas. Entre os nomes frequentemente citados por proponentes do movimento estão:
- Michael Bay
- Michael Mann
- Paul Verhoeven
- Tony Scott
- Zack Snyder
- John Carpenter
- Brian De Palma
- Justin Lin
- Paul W. S. Anderson
- Takashi Miike
- John Woo
Perguntas frequentes
O que é o auteurismo vulgar?
É um movimento de crítica de cinema que busca reavaliar e analisar com seriedade a obra de diretores de filmes populares e de gênero, que geralmente são desprezados pela crítica especializada.
Qual a diferença entre auteurismo vulgar e a teoria do autor clássica?
Embora ambos vejam o diretor como o autor da obra, o auteurismo vulgar é frequentemente associado a um foco maior no estilo visual e na estética do que nos temas profundos ou na mensagem do filme.
Quem são alguns dos diretores defendidos por esse movimento?
Diretores como Michael Bay, Michael Mann, Paul Verhoeven e Zack Snyder são exemplos de cineastas cujas obras são frequentemente analisadas sob a ótica do auteurismo vulgar.