Douglas Model 2229: O Projeto de Transporte Supersônico
Pontos principais
- O Douglas Model 2229 foi um projeto de avião supersônico comercial que nunca saiu da fase de design e mock-ups.
- Inspirado no B-70 Valkyrie, utilizava asas em delta composta e extremidades de asa rebatíveis para sustentação por compressão.
- A Douglas desistiu do projeto em 1963 por considerar que os custos operacionais seriam excessivamente altos em relação à capacidade de passageiros.
- A aeronave teria capacidade para 100 passageiros e um peso estimado de 420.000 libras.
O Douglas Model 2229 foi um projeto de aeronave de transporte supersônico (SST, do inglês Supersonic Transport) concebido pela Douglas Aircraft Company. Iniciado como um estudo privado, o projeto visava criar um avião comercial capaz de voar a velocidades superiores à do som, mas acabou sendo descartado antes de entrar em fase de produção devido a inviabilidades econômicas.
Desenvolvimento e Contexto Técnico
Durante a década de 1950, os avanços na aerodinâmica supersônica tornaram a operação sustentada em altos números de Mach possível. O desenvolvimento de novos motores, entradas de ar otimizadas, a introdução de asas em delta e o uso de materiais avançados, como titânio e aço inoxidável, permitiram a superação de barreiras técnicas que limitavam designs anteriores.
Nesse cenário, os Estados Unidos já desenvolviam aeronaves de cruzeiro supersônico, como o Lockheed A-12 e o B-70 Valkyrie, enquanto o Reino Unido avaliava o Avro 730. O conceito de transporte supersônico surgiu como uma evolução natural da busca por maior velocidade e altitude na aviação.
Desafios de Eficiência
Apesar do entusiasmo, a transição do voo subsônico para o supersônico trouxe desafios significativos de eficiência. Enquanto transportes subsônicos da época atingiam razões de sustentação sobre arrasto (L/D) de aproximadamente 19, os designs de SST mais avançados situavam-se em torno de 9. Isso significava que um SST exigiria quase o dobro de combustível para transportar um passageiro, elevando drasticamente os custos operacionais.
Características do Design do Model 2229
O Model 2229 foi um dos primeiros esforços sérios de SST apresentados à imprensa. Seu layout foi amplamente inspirado no bombardeiro B-70, porém adaptado para o uso civil. Diferente do B-70, que possuía asas montadas no ombro para aproveitar a sustentação por compressão, o Model 2229 posicionou a fuselagem acima da asa para melhorar a visibilidade e facilitar o embarque de passageiros.
Configuração Aerodinâmica e Propulsão
- Asas e Canards: A aeronave utilizava uma configuração de delta composta. A asa principal estendia-se do leme vertical traseiro quase até a frente da fuselagem, onde eram montados dois pequenos canards delta na parte superior.
- Motores: Quatro motores estavam instalados em uma caixa de aproximadamente 24 metros (80 pés) sob a asa. O design utilizava dois cones de choque na frente da entrada de ar, conduzindo o fluxo para um duto único com paredes de perfil variável em três partes, que reduzia a velocidade do ar para níveis subsônicos antes de atingir os motores.
- Sustentação por Compressão: Seguindo a lógica do B-70, as extremidades externas de cada asa (cerca de 6 metros) podiam ser rebatidas para baixo em voo para melhorar a sustentação por compressão, embora em um ângulo menor que os 75 graus do B-70.
- Nariz: O design adotava uma rampa ascendente na área do nariz, diferindo do nariz rebatível utilizado no Concorde ou no Boeing 2707.

O Programa Nacional de Transporte Supersônico e a Recusa da Douglas
Em 1963, a pressão política e a competição internacional aceleraram a corrida pelos SSTs. A colaboração entre a Bristol (Reino Unido) e a Sud Aviation (França) para criar o Concorde, somada ao desenvolvimento de um projeto soviético, gerou preocupação nos Estados Unidos.
Sob pressão do governo e da Federal Aviation Administration (FAA), foi anunciado o Programa Nacional de Transporte Supersônico (NST) em 5 de junho de 1963. No entanto, a Douglas Aircraft Company, após chegar ao design detalhado, decidiu não inscrever o Model 2229 no programa.
Razões para o Abandono
A decisão de declinar a participação baseou-se em dois fatores principais:
- Inviabilidade Econômica: A aeronave, projetada para 100 passageiros, teria um peso de aproximadamente 420.000 libras (cerca de 190.500 kg), sendo mais pesada que o Boeing 707, porém transportando 20% menos passageiros. O alto consumo de combustível e o peso resultariam em custos operacionais proibitivos.
- Análise de Mercado: Enquanto estudos externos (como o do Stanford Research Institute) previam um mercado otimista de 325 aeronaves, a análise interna da Douglas estimou que apenas rotas de altíssima utilização seriam viáveis, reduzindo a demanda potencial para apenas 151 aeronaves.
Perguntas frequentes
O que foi o Douglas Model 2229?
Foi um projeto de aeronave de transporte supersônico (SST) da Douglas Aircraft Company, desenvolvido como um estudo privado para voos comerciais em alta velocidade.
Por que o Douglas Model 2229 não foi construído?
A Douglas concluiu que a aeronave não seria economicamente viável, devido ao alto consumo de combustível, peso excessivo em relação ao número de passageiros e a baixa demanda de mercado prevista.
Quais eram as principais características técnicas do Model 2229?
Possuía asas em delta composta, quatro motores em uma caixa sob a asa, canards frontais e extremidades de asa rebatíveis para otimizar a sustentação em velocidades supersônicas.
Em que se diferenciava do Concorde?
Diferente do Concorde, que utilizava um nariz rebatível (drooping nose) para visibilidade na decolagem e pouso, o Model 2229 utilizava uma rampa ascendente no nariz.