Evolução do Jornalismo no Reino Unido
Pontos principais
- Londres foi e continua sendo o principal centro do jornalismo no Reino Unido.
- No século XVI, a impressão era controlada rigidamente pela Coroa, com a Company of Stationers atuando como braço fiscalizador.
- A primeira revista semanal em língua inglesa, 'A current of General News', surgiu em 1622.
- Os 'corantos' holandeses introduziram a regularidade nas notícias semanais no mercado inglês a partir de 1620.
A história do jornalismo no Reino Unido é marcada por um processo contínuo de expansão no escopo das notícias e no aumento da velocidade de transmissão da informação. Desde o século XVIII, os jornais consolidaram-se como o meio primário de atuação dos jornalistas, sendo posteriormente complementados por revistas no século XVIII, rádio e televisão no século XX e, finalmente, a internet no século XXI. Londres consolidou-se historicamente como o centro nevrálgico da atividade jornalística britânica, seguida por centros como Edimburgo, Belfast e Dublin.

Origens e a Circulação de Notícias
Após o ano 1500, a circulação de notícias na Europa Ocidental ocorria principalmente através de newsletters distribuídas por canais já estabelecidos. Antuérpia funcionava como um centro crucial, conectando redes que ligavam a França, a Grã-Bretanha, a Alemanha e os Países Baixos, bem como redes que conectavam a Itália, a Espanha e Portugal. Os temas predominantes nessas publicações eram conflitos militares, diplomacia, assuntos de corte e fofocas.
A partir de 1600, os governos nacionais da França e da Inglaterra começaram a imprimir boletins oficiais. Em 1622, foi publicada a primeira revista semanal em língua inglesa, intitulada "A current of General News", distribuída em formato quarto, com extensões que variavam entre 8 e 24 páginas.
O Controle Real no Século XVI
Durante o século XVI, a impressão de materiais estava sob rigorosa jurisdição real, sendo restrita a súditos ingleses. A Coroa impunha controles severos sobre a distribuição de materiais impressos de natureza religiosa ou política. Em 1538, Henrique VIII decretou que todo material impresso deveria ser aprovado pelo Conselho Privado antes de sua publicação.
A repressão tornou-se ainda mais rigorosa com o tempo; em 1581, a publicação de material considerado sedicioso tornou-se um crime capital. A rainha Maria Tudor utilizou a própria estrutura do comércio para exercer controle, concedendo em 1557 uma Carta Real à Company of Stationers. Esta companhia tornou-se parceira do Estado sob o reinado de Elizabeth I, restringindo o número de prensas disponíveis e eliminando a concorrência, o que garantia que a empresa não publicasse materiais que pudessem comprometer seus privilégios reais.
O rei Eduardo VI, entre 1547 e 1549, proibiu a "notícia falada ou rumor" em suas proclamações. A única forma de notícia impressa permitida era a chamada "relation" — uma narrativa de um único evento, seja doméstico ou estrangeiro. Essas publicações eram frequentemente vendidas na porta norte da Catedral de São Paulo, dividindo-se entre propaganda governamental e notícias classificadas como "estranhas e maravilhosas", que utilizavam títulos sensacionalistas para atrair leitores.
A Ascensão dos Panfletos e Corantos no Século XVII

O século XVII foi caracterizado pela ascensão do panfletismo político, impulsionado pelas tensões da Guerra Civil Inglesa. Diferentes facções políticas utilizavam a distribuição massiva de panfletos para mobilizar apoiadores, frequentemente lidos em voz alta em cafés (coffeehouses), onde uma única cópia circulava entre várias pessoas.
Simultaneamente, a influência holandesa tornou-se evidente. A Holanda já possuía um serviço de notícias semanal regular, conhecido como corantos. A partir de 1620, a Holanda começou a fornecer cerca de mil cópias de corantos para o mercado inglês, introduzindo a periodicidade e a regularidade que moldariam o jornalismo futuro.
Perguntas frequentes
Qual era a função da Company of Stationers no século XVI?
A Company of Stationers era uma corporação que, através de uma Carta Real, controlava o número de prensas e a distribuição de materiais impressos, atuando em parceria com a Coroa para evitar a publicação de materiais sediciosos ou contrários aos interesses do Estado.
O que eram as 'relations'?
As 'relations' eram narrativas impressas de um único evento específico, doméstico ou estrangeiro, sendo a única forma de notícia impressa permitida durante certos períodos do século XVI.
Como as notícias eram consumidas nos cafés do século XVII?
Nos coffeehouses, os panfletos políticos eram lidos em voz alta para grupos de pessoas, permitindo que uma única cópia fosse consumida por diversos indivíduos, facilitando a mobilização política durante a Guerra Civil Inglesa.