Tecnologia e Direitos Humanos

GreatFire.org: Monitoramento e Evasão de Censura na China

Pontos principais

  • Lançado em 2011 por fundadores anônimos para combater a censura digital na China.
  • Utiliza a técnica de 'liberdade colateral' para hospedar conteúdos em CDNs, dificultando o bloqueio estatal.
  • Foi alvo do 'Great Cannon', uma ferramenta de ataque de tráfego massivo em 2015.
  • Recebe financiamento de diversas fontes, incluindo o Open Technology Fund (OTF) dos EUA.

O GreatFire.org é uma organização e plataforma digital dedicada a monitorar o status de websites censurados pelo Grande Firewall da China e a auxiliar usuários chineses a contornar o bloqueio de informações e a censura estatal.

Origens e Estrutura Organizacional

Lançado em 2011 por um trio anônimo, o GreatFire opera sob um modelo de anonimato rigoroso. Os membros da organização permanecem anônimos e mantêm pouca informação mútua para garantir a resiliência do projeto; essa medida visa evitar que a operação seja totalmente comprometida caso algum de seus integrantes seja identificado ou detido pelo governo chinês.

Ferramentas de Monitoramento e Transparência

A missão declarada do GreatFire é "trazer transparência ao Grande Firewall da China". Para isso, a plataforma disponibiliza sistemas de teste em tempo real que permitem aos visitantes verificar a acessibilidade de qualquer website a partir de diversas localizações dentro do território chinês.

Além disso, a organização desenvolveu o Blocky, um sistema de teste que permite aos usuários pesquisar serviços online e verificar seu status de disponibilidade na China.

Estratégias de Evasão e "Liberdade Colateral"

O GreatFire tem implementado métodos técnicos para tornar a informação acessível, destacando-se a colaboração com a BBC para disponibilizar a versão em chinês do portal de notícias. A estratégia utilizada é conhecida como liberdade colateral (collateral freedom), que consiste em espelhar o conteúdo em redes de entrega de conteúdo (CDNs) amplamente utilizadas, como Amazon CloudFront e CloudFlare.

Essa técnica torna o bloqueio economicamente oneroso para os censores, pois bloquear a CDN inteira poderia afetar serviços essenciais de outras empresas e governos, prejudenciando a economia digital do país. O GreatFire aplicou métodos semelhantes para criar sites espelho para outras plataformas bloqueadas, como o Google e o The New York Times, mantendo um diretório de links hospedado no GitHub.

Ataques e Segurança

Devido à sua natureza, o GreatFire tem sido alvo de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) para tentar derrubar seus servidores. Em abril de 2015, a organização foi alvo do Great Cannon, uma ferramenta de ataque chinesa que redirecionou volumes massivos de tráfego de internet para os servidores do GreatFire.

Iniciativas Relacionadas e Financiamento

A organização opera um site irmão, o FreeWeibo, que monitora e arquiva conteúdos do Sina Weibo (principal microblogging da China) que foram censurados ou deletados pelas autoridades.

O financiamento do GreatFire provém de diversas fontes internas e externas à China. Em 2014, a organização recebeu uma subvenção de US$ 114.000 do Open Technology Fund (OTF), um programa apoiado pelo governo dos Estados Unidos, sendo identificada no site do OTF como uma iniciativa apoiada por este fundo.

Perguntas frequentes

O que é o GreatFire.org?

É um website e organização que monitora a censura da internet na China e ajuda usuários a contornar o Grande Firewall Chinês.

O que é a 'liberdade colateral'?

É uma técnica de espelhamento de conteúdo em redes de entrega de conteúdo (CDNs) populares, tornando o bloqueio do site caro ou prejudicial para a economia do país.

Como o GreatFire garante a segurança de seus membros?

Os membros operam de forma anônima e não compartilham informações pessoais entre si para evitar que a organização seja desmantelada em caso de prisões.

Qual a relação do GreatFire com o Open Technology Fund?

O GreatFire é uma iniciativa apoiada pelo OTF, tendo recebido, por exemplo, uma subvenção de 114 mil dólares em 2014.