Gênero Musical Speedcore
Pontos principais
- O Speedcore é definido por tempos extremamente altos, geralmente iniciando em 300 BPM.
- O gênero evoluiu do hardcore techno, buscando extremos de agressividade e velocidade.
- Subgêneros como Splittercore e Extratone elevam a velocidade a níveis onde a batida se torna um tom musical.
- A distribuição via netlabels e a internet foi fundamental para a globalização do gênero a partir dos anos 2000.
O Speedcore é um estilo de música eletrônica derivado do hardcore techno, definido primordialmente por seu tempo extremamente elevado e temáticas agressivas. Surgido no início da década de 1990, o gênero expandiu os limites da música de dança, transformando a percussão em elementos rítmicos e tonais através de velocidades que desafiam a percepção auditiva humana.
Características Técnicas e Sonoras
A principal característica do Speedcore é o seu tempo (BPM - batidas por minuto). Embora a classificação possa variar subjetivamente, a maioria dos produtores define o Speedcore a partir de 300 BPM, podendo chegar a 600 BPM. Em análises retroativas de faixas pioneiras, o limite inferior é por vezes fixado em 240 BPM.
Além da velocidade, o gênero se distingue de outras formas de hardcore pelo uso intensivo de preenchimentos de percussão (percussion fills) e a distorção extrema dos bumbos (kicks). Essa saturação é frequentemente levada ao limite, fazendo com que a onda sonora do bumbo se assemelhe a uma onda quadrada, resultando em um timbre industrial e metálico. Tematicamente, muitos artistas utilizam abordagens transgressoras para provocar e expandir as fronteiras artísticas do gênero.
Com a evolução tecnológica a partir dos anos 2000, houve uma transição significativa do uso de sintetizadores analógicos e trackers para as Estações de Trabalho de Áudio Digital (DAWs), facilitando a produção de ritmos complexos e velocidades extremas.
Histórico e Evolução
Origens e Primeiros Passos (1992–1993)
O Speedcore surgiu como uma progressão natural do hardcore techno. Enquanto o hardcore já era considerado rápido, alguns produtores buscaram elevar a agressividade e a velocidade a níveis inéditos. Um exemplo precoce dessa experimentação foi a faixa "Thousand", de Moby, lançada em 1992, que atingiu picos de aproximadamente 1.015 BPM.
Nesse período, o termo "nosebleed techno" (techno de sangramento nasal) era usado genericamente para descrever o hardcore extremo, termo que posteriormente influenciaria o nome do projeto australiano Nasenbluten e de eventos específicos na Escócia.
Consolidação e a Era do Gabber (1994–1999)
A terminologia "Speedcore" começou a ser formalizada por volta de 1995, com destaque para a faixa "N.Y.C. Speedcore" do grupo Disciples of Annihilation. Até o início dos anos 2000, muitas dessas produções eram referidas simplesmente como "gabba" (grafia de origem alemã).
Em 1998, o artista belga Einrich 3600 BPM introduziu a técnica de utilizar osciloscópios para disparar bumbos em velocidades de 3.600 BPM (baseando-se na frequência de rede de 60 Hz do padrão NTSC). Essa prática transformou a batida rítmica em uma nota tonal, lançando as bases para o subgênero Extratone.
Expansão Digital e Netlabels (2000–Presente)
A virada do milênio marcou a transição para a distribuição digital. O surgimento de netlabels (gravadoras baseadas na internet) permitiu que produtores de todo o mundo compartilhassem arquivos MP3, democratizando o acesso e a produção do gênero.
Na década de 2010, a popularização das DAWs e dos canais de promoção no YouTube consolidou o Speedcore como um fenômeno global e predominantemente online, desvinculando-o da dependência de raves locais e lançamentos físicos em vinil.
Subgêneros e Derivações
| Subgênero | Faixa de BPM | Características Principais |
|---|---|---|
| Splittercore | 600 a 1.000 BPM | Padrões de bumbo que lembram disparos de metralhadora. |
| Flashcore | Variável | Influências de IDM e música eletroacústica; evita a estrutura rítmica tradicional "four-on-the-floor". |
| Extratone | Acima de 1.000 BPM | A velocidade é tão alta que as batidas se fundem em tons contínuos, permitindo a alteração de notas musicais através da variação de BPM. |
O Flashcore, pioneirado pelo artista francês La Peste, distancia-se do Speedcore tradicional ao incorporar elementos de música experimental e industrial, focando em decaimentos de tom acentuados e ritmos irregulares. Já o Extratone (do alemão extrahieren - extrair e tone - som) utiliza a frequência das batidas para criar melodias, transformando o ritmo em timbre.
Perguntas frequentes
O que diferencia o Speedcore de outros gêneros de Hardcore?
A principal diferença é a velocidade extrema (geralmente acima de 300 BPM) e a distorção severa dos bumbos, que muitas vezes soam como ondas quadradas, além de preenchimentos de percussão mais frequentes.
O que é Extratone?
O Extratone é um subgênero do Speedcore onde o tempo ultrapassa 1.000 BPM. Nessa velocidade, o ouvido humano deixa de perceber batidas individuais e passa a ouvir um tom contínuo, permitindo que o produtor crie melodias alterando a velocidade.
Qual a origem do termo Speedcore?
O termo surgiu por volta de 1995, sendo popularizado por artistas como Disciples of Annihilation, combinando a raiz do gênero Hardcore com a característica de alta velocidade (speed).
O Speedcore ainda é produzido em vinil?
Embora tenha começado em vinil, a cena contemporânea é predominantemente digital, operando através de netlabels e plataformas de streaming e compartilhamento de vídeo.