História de Weeksville: O Assentamento Afro-Americano em Brooklyn
Pontos principais
- Fundada por afro-americanos livres no século XIX como uma comunidade intencional de proprietários de terras.
- Foi a segunda maior comunidade negra livre nos Estados Unidos antes da Guerra Civil Americana.
- A 'Colored School no. 2' foi a primeira escola nos EUA a integrar professores e alunos negros.
- As Casas de Hunterfly Road foram redescobertas em 1968 e hoje formam o núcleo do Weeksville Heritage Center.
Weeksville foi uma comunidade intencional fundada por afro-americanos livres no Brooklyn, Nova York. Estabelecida no século XIX, a vila serviu como um refúgio de autonomia econômica e política para a população negra, permitindo a aquisição de terras e a criação de instituições independentes. Com a expansão urbana acelerada após a conclusão da Ponte do Brooklyn, a memória de Weeksville foi gradualmente absorvida pelo bairro de Crown Heights, sendo redescoberta apenas no final da década de 1960.
Fundação e Desenvolvimento
A vila recebeu seu nome de James Weeks, um estivador afro-americano liberto originário da Virgínia. Em 1838, Weeks adquiriu um terreno de Henry C. Thompson, um investidor imobiliário afro-americano, no Nono Distrito do centro do Brooklyn. A aquisição ocorreu em um período de intensa especulação imobiliária, onde famílias proprietárias de terras vendiam propriedades, proporcionando a afro-americanos a oportunidade de adquirir solo para garantir liberdade econômica e influência política.
Weeksville foi estabelecida por um grupo de investidores e ativistas políticos negros como uma comunidade de proprietários de terras. Geograficamente, a vila situava-se na área de Bedford Hills, delimitada atualmente pela Fulton Street, East New York Avenue, Ralph Avenue e Troy Avenue.

Vida Comunitária e Importância Política
Na década de 1850, Weeksville contava com mais de 500 residentes, muitos dos quais migraram da Costa Leste dos Estados Unidos, incluindo indivíduos nascidos na África. Aproximadamente 40% da população era originária do sul do país.
A posse de terra era fundamental para a cidadania na época; no estado de Nova York, homens não brancos precisavam possuir propriedades imobiliárias com valor mínimo de 250 dólares e pagar impostos sobre elas para ter direito ao voto. Como resultado, quase um terço dos homens com mais de 21 anos em Weeksville eram proprietários de terras, conferindo-lhes poder político.
Instituições e Infraestrutura
A comunidade desenvolveu uma infraestrutura robusta, que incluía:
- Educação: A "Colored School no. 2" (atual P.S. 243) foi a primeira escola nos Estados Unidos a integrar tanto seu corpo docente quanto seus alunos.
- Religião: A vila possuía igrejas como a Bethel Tabernacle African Methodist Episcopal Church e a Berean Missionary Baptist Church.
- Mídia e Cultura: Weeksville sediou um dos primeiros jornais afro-americanos, o Freedman's Torchlight, além de possuir um time de beisebol e um cemitério.
- Assistência Social: A vila abrigou o Howard Colored Orphan Asylum e tornou-se a sede nacional da African Civilization Society na década de 1860.
Durante os violentos Motins do Recrutamento de Nova York em 1863, Weeksville serviu como refúgio seguro para muitos afro-americanos que fugiram da ilha de Manhattan.
Redescoberta e Preservação
A memória de Weeksville desapareceu gradualmente com a urbanização de Nova York e a integração do território ao bairro de Crown Heights. A redescoberta ocorreu em 1968, durante um workshop do Instituto Pratt liderado pelo historiador James Hurley. Após estudar a obra The Eastern District of Brooklyn (1912), de Eugene Armbruster, Hurley e o residente local Joseph Haynes localizaram evidências físicas da vila através de mapas antigos e sobrevoos aéreos.
Essa busca resultou na descoberta de quatro casas históricas situadas na Bergen Street, conhecidas como as Casas de Hunterfly Road, remanescentes da borda leste da vila do século XIX.


Weeksville na Atualidade
A preservação do local foi liderada pela Sociedade para a Preservação de Weeksville e da História de Bedford-Stuyvesant, agora denominada Weeksville Heritage Center. Joan Maynard foi uma figura central na preservação das Casas de Hunterfly Road.
Em 1970, as casas foram declaradas marcos históricos da cidade de Nova York e, em 1972, integradas ao Registro Nacional de Lugares Históricos como o Distrito Histórico de Hunterfly Road. Após uma restauração de 3 milhões de dólares concluída em 2005, as casas foram reabertas ao público. Em 2014, foi inaugurado um centro educacional e cultural de 1.800 metros quadrados adjacente às residências.
Perguntas frequentes
Quem fundou Weeksville?
Weeksville foi fundada por James Weeks e um grupo de investidores e ativistas afro-americanos livres que buscavam autonomia econômica e política através da posse de terra no Brooklyn.
Por que a posse de terra era importante em Weeksville?
Porque, no estado de Nova York na época, a posse de terra com valor mínimo de 250 dólares era um requisito legal para que homens não brancos pudessem votar.
Como Weeksville foi redescoberta?
A vila foi redescoberta em 1968 pelo historiador James Hurley e Joseph Haynes, que utilizaram mapas antigos e sobrevoos aéreos para localizar as casas remanescentes.
O que é o Weeksville Heritage Center?
É a organização que preserva as casas históricas de Hunterfly Road e um centro cultural e educacional dedicado a preservar a memória e a história da comunidade negra no Brooklyn.