Literatura e História

Os Judeus do Papa: A Obra de Gordon Thomas

Pontos principais

  • O livro foi escrito pelo autor britânico Gordon Thomas e publicado em 2012.
  • A obra defende que o Papa Pio XII utilizou mosteiros e conventos para esconder milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
  • O autor relata que o Vaticano forneceu documentos falsos e fundos para a sobrevivência de refugiados judeus.
  • A recepção crítica divide-se entre a valorização da narrativa jornalística e a crítica à falta de rigor acadêmico e ao silêncio público do Papa.

The Pope's Jews: The Vatican's Secret Plan to Save Jews from the Nazis (publicado em português como Os Judeus do Papa) é um livro de 2012 escrito pelo autor britânico Gordon Thomas. A obra investiga as ações do Papa Pio XII e da Igreja Católica na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, focando especificamente nos esforços para proteger judeus e prisioneiros de guerra aliados contra a perseguição nazista.

Capa do livro The Pope's Jews
Capa da obra de Gordon Thomas sobre as ações do Vaticano durante o Holocausto.

Conteúdo e Teses da Obra

O livro examina a rede de apoio clandestina coordenada pelo Vaticano. Segundo Thomas, o Papa Pio XII teria nomeado um sacerdote responsável por gerir fundos destinados ao fornecimento de alimentos, roupas e medicamentos para refugiados. A obra afirma que mais de 4.000 judeus encontraram refúgio em mosteiros e conventos escondidos na Itália.

Entre as medidas documentadas por Thomas, destacam-se:

  • A instrução dada a padres católicos para emitirem certificados de batismo falsos para centenas de judeus escondidos na Itália.
  • A concessão de documentos do Vaticano a mais de 2.000 judeus na Hungria, identificando-os como católicos.
  • A criação de uma rede eclesiástica para resgatar judeus alemães e transportá-los para Roma.

Além da figura central do Papa, o autor analisa a interação entre o papado e a comunidade diplomática em Roma, a comunidade judaica local, a aristocracia italiana pró-papal e figuras como o Rabino-Chefe de Roma, Israel Zolli, o chefe da Gestapo, Herbert Kappler, e o Monsenhor Hugh O'Flaherty, conhecido por resgatar prisioneiros de guerra e judeus.

Recepção Crítica

A obra recebeu reações mistas, refletindo a própria controvérsia histórica em torno de Pio XII. O professor emérito de história Peter C. Kent, em análise para o The Irish Times, descreveu o livro como uma narrativa jornalística envolvente. Kent observou que, embora o Papa não estivesse disposto a desafiar abertamente os perpetradores das atrocidades, ele teria fornecido apoio secreto e financiamento para a assistência humanitária.

Por outro lado, o professor emérito de história Jack Fischel, escrevendo para o Jewish Book Council, criticou a natureza da obra, afirmando que ela se lê mais como um romance do que como um trabalho acadêmico, apontando a ausência de notas de rodapé para diálogos e conversas. Fischel questionou a eficácia da "estratégia de silêncio" atribuída a Pio XII por Thomas, argumentando que esse silêncio foi "ensurdecedor" durante a deportação dos judeus de Roma para Auschwitz, ocorrendo quase sob as janelas do Vaticano.

Fischel levanta questionamentos fundamentais que a obra de Thomas não resolve plenamente: por que o Papa não alertou os judeus sobre a exterminação iminente, por que não emitiu uma encíclica condenando explicitamente o Holocausto ou por que não excomungou líderes nazistas católicos, como Hitler e Himmler.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo principal do livro 'Os Judeus do Papa'?

O livro busca documentar os esforços secretos do Papa Pio XII e da Igreja Católica para salvar judeus e prisioneiros de guerra aliados da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Quais medidas o Vaticano teria tomado segundo Gordon Thomas?

Segundo o autor, o Papa teria financiado a assistência humanitária, incentivado o uso de conventos e mosteiros como refúgios e ordenado a emissão de certificados de batismo falsos para proteger judeus.

Qual a principal crítica feita por historiadores ao livro?

Alguns críticos, como Jack Fischel, argumentam que a obra carece de rigor acadêmico (estilo de romance) e que a tese de que o 'silêncio' do Papa foi uma estratégia protetora não justifica a falta de condenação pública do Holocausto.