Cage International
Pontos principais
- Sediada em Londres, a Cage International foca na denúncia de abusos cometidos durante a 'guerra ao terror'.
- A organização foi pioneira na divulgação de nomes de detentos de Guantánamo antes da publicação oficial do governo dos EUA.
- Moazzam Begg, ex-detento de Guantánamo, é uma das figuras centrais e diretores de alcance da organização.
- A organização já enfrentou pressões governamentais e de inteligência para a interrupção de seus financiamentos filantrópicos.
A Cage International é uma organização de advocacia em prol dos direitos humanos, sediada em Londres, cujo objetivo principal é capacitar comunidades impactadas pelas políticas globais da chamada "guerra ao terror". A organização atua no destaque e na contestação de políticas estatais implementadas sob essa justificativa, focando especialmente na proteção de indivíduos detidos sem julgamento e na denúncia de abusos sistemáticos.
Origens e Objetivos
Originalmente fundada como Cageprisoners (estilizada como "CAGE"), a organização surgiu para dar visibilidade à situação dos detentos em Guantánamo e em outros centros de detenção semelhantes. A Cage trabalha em estreita colaboração com ex-detentos dos Estados Unidos e realiza campanhas para a libertação de indivíduos mantidos em custódia sem o devido processo legal.

Atividades e Atuação
A organização oferece suporte a pessoas que foram privadas do devido processo legal em acusações de terrorismo por meio de:
- Assistência Jurídica: Encaminhamento de indivíduos a advogados e orientação sobre seus direitos fundamentais.
- Pesquisa e Documentação: Registro de erros judiciários e denúncias de tortura e assédio, especialmente contra populações muçulmanas.
- Advocacia: Campanhas para a libertação de reféns e detentos políticos.
Um dos nomes centrais da organização é Moazzam Begg, diretor de alcance da Cage. Begg, um britânico de Birmingham, foi detido extrajudicialmente por três anos pelo governo dos Estados Unidos em Bagram, no Afeganistão, e em Guantánamo, Cuba, sendo libertado sem acusações em 2005. Begg tem sido fundamental na representação de detentos e na pressão sobre governos para aceitarem ex-detentos não nacionais em seus territórios, além de ter auxiliado na comprovação da cumplicidade do Reino Unido em prisões e torturas conduzidas pelos EUA.

Histórico e Financiamento
O site da organização foi lançado em outubro de 2003. Nos primeiros anos, a Cage foi pioneira na divulgação de nomes e fotografias de detentos de Guantánamo, utilizando informações de familiares, já que o governo dos EUA se recusava a publicar a lista oficial de prisioneiros até 2006.
Controvérsias Financeiras e Regulatórias
Entre 2007 e 2014, a Cage recebeu subsídios significativos do Joseph Rowntree Charitable Trust (£271.250) e da Roddick Foundation (£120.000). Em 2015, sob pressão da Charity Commission do Reino Unido, ambas as entidades cessaram o financiamento. A comissão alegou que o financiamento de organizações controversas poderia prejudicar a confiança pública nas instituições de caridade.
No entanto, em outubro de 2015, após a Cage solicitar uma revisão judicial, a Charity Commission alterou sua posição, decidindo não interferir na discricionariedade de outras instituições de caridade em financiar a organização. Durante o processo, surgiram evidências de que agentes de inteligência dos EUA e membros do gabinete britânico haviam pressionado a comissão para investigar a Cage, descrevendo-a como uma "fachada jihadista".
Recepção e Críticas
A atuação da Cage International gera reações polarizadas. De um lado, grupos de direitos humanos descrevem seu trabalho como vital para a denúncia de torturas e prisões arbitrárias. Em 2010, a embaixadora dos EUA no Luxemburgo, Cynthia Stroum, elogiou as campanhas da organização para a reintegração de ex-detentos na sociedade.
Por outro lado, a organização enfrenta críticas severas. Detratores argumentam que a Cage, em certas ocasiões, teria apoiado ou justificado figuras e posições extremistas. Um exemplo citado é o convite feito ao clérigo Anwar al-Awlaki para discursar em jantares de arrecadação de fundos em 2008 e 2009.
Internamente, a parceria da Cage com a Anistia Internacional também foi alvo de disputas. Gita Sahgal, líder da Unidade de Gênero da Anistia, criticou a associação, alegando que a proximidade com Moazzam Begg e a Cage prejudicava as campanhas de direitos das mulheres. A Anistia Internacional, contudo, defendeu a parceria, afirmando que Begg defendia a aplicação do devido processo legal dentro da estrutura dos direitos humanos universais.
Perguntas frequentes
O que é a Cage International?
É uma organização de direitos humanos sediada em Londres que atua na defesa de pessoas impactadas pelas políticas da 'guerra ao terror', combatendo a tortura e a detenção sem julgamento.
Quem é Moazzam Begg?
É o diretor de alcance da Cage International e um ex-detento dos campos de Bagram e Guantánamo, libertado sem acusações em 2005.
Por que a Cage International é controversa?
Enquanto é elogiada por defender direitos humanos básicos, é criticada por supostamente ter dado plataforma ou justificado posições de figuras extremistas.
Qual a relação da Cage com a Anistia Internacional?
A Anistia Internacional já manteve parcerias com a Cage para a defesa do devido processo legal, embora essa relação tenha sido criticada internamente por alguns membros da Anistia.