Conflito no Saara Ocidental (2020–presente)
Pontos principais
- O conflito atual começou em novembro de 2020 após a intervenção marroquina em Guerguerat.
- O cessar-fogo de 1991, que durou 29 anos, foi declarado nulo pela Frente Polisario.
- O Marrocos utiliza drones de fabricação israelense para realizar ataques em território controlado pela RASD.
- O Saara Ocidental é considerado pela ONU como o último território africano a ser descolonizado.
O Conflito no Saara Ocidental (2020–presente) refere-se à retomada das hostilidades armadas entre o Reino de Marrocos e a Frente Polisario, representante da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), na região disputada do Saara Ocidental. O recrudescimento da violência ocorreu em novembro de 2020, encerrando um cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas que havia permanecido em vigor por 29 anos.
Contexto Histórico e Territorial
O Saara Ocidental é classificado pelas Nações Unidas como um território não autônomo, sendo a última colônia africana pendente de descolonização. Após a retirada da Espanha em 1976, a região tornou-se palco de uma disputa territorial prolongada. O Marrocos controla atualmente entre 75% e 80% do território, delimitado por um muro de areia de aproximadamente 2.700 quilômetros.
A Frente Polisario, apoiada pela Argélia, defende a independência total da região e a realização de um referendo de autodeterminação, conforme prometido no acordo de cessar-fogo de 1991. A Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO) foi estabelecida para supervisionar esse processo, que permanece estagnado devido a divergências sobre a elegibilidade dos votantes.
A Crise de Guerguerat e a Ruptura do Cessar-Fogo
O gatilho para a escalada recente ocorreu em meados de outubro de 2020, na localidade de Guerguerat, uma vila situada na costa sul da região, próxima à fronteira com a Mauritânia. A área é estratégica por abrigar a principal estrada que conecta o território controlado por Marrocos à África subsaariana.
Manifestantes saharauis, vindos dos campos de refugiados de Tindouf na Argélia, bloquearam a estrada em protesto contra a exploração de recursos naturais da região. O Marrocos acusou a Frente Polisario de infiltrar a zona tampão monitorada pela MINURSO e de realizar atos de banditismo. Em meados de novembro de 2020, as forças marroquinas intervieram militarmente para reabrir a estrada e capturar a zona de bloqueio.
No dia seguinte à intervenção marroquina, a Frente Polisario declarou formalmente que o cessar-fogo de 1991 estava anulado, retomando as operações militares contra as posições marroquinas.
Dinâmicas Militares Recentes
Desde a ruptura do acordo, o conflito evoluiu para uma guerra de baixa intensidade, caracterizada por ataques esporádicos e o uso de novas tecnologias militares. O Marrocos intensificou a utilização de drones de vigilância e ataque, adquiridos principalmente de Israel, para atingir alvos em territórios controlados pela Polisario.
Relatórios indicam que esses ataques com drones resultaram na morte de pelo menos 120 pessoas. A Frente Polisario, por sua vez, continua a realizar incursões e ataques contra as infraestruturas marroquinas na região.

Perguntas frequentes
O que causou a retomada dos conflitos em 2020?
A crise começou com o bloqueio da estrada em Guerguerat por manifestantes saharauis, seguido por uma operação militar do Marrocos para reabrir a via, o que levou a Frente Polisario a anular o cessar-fogo de 1991.
Qual é o papel da MINURSO?
A MINURSO é a missão da ONU encarregada de monitorar o cessar-fogo e organizar o referendo de autodeterminação para a população do Saara Ocidental.
Qual a posição do Marrocos e da Frente Polisario?
O Marrocos reivindica a soberania sobre o território, enquanto a Frente Polisario busca a independência total através da criação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD).